Um tribunal polaco absolveu três ativistas que haviam sido acusados ​​de profanação e ofensa a sentimentos religiosos por distribuir imagens da Virgem Maria com um arco-íris LGBTQ + em vez da habitual auréola. O objetivo da distribuição destes cartazes, que aconteceu na cidade de Plock em 2019, era protestar contra o que consideravam uma atitude hostil por parte da igreja católica da Polónia em relação às pessoas LGBTQ +.

A imagem envolvia uma alteração do ícone mais venerado da Polónia, a Nossa Senhora de Częstochowa. O original está alojado no mosteiro Jasna Góra em Częstochowa, o local católico mais importante do país desde o século XIV.

Uma das acusadas, Elzbieta Podlesna explicou que a ação tinha sido motivada por um cartaz na igreja da cidade de São Domingos que associava pessoas LGBTQ + com crimes e pecados. 

Ainda me pergunto como o arco-íris - um símbolo de diversidade e tolerância - ofende os sentimentos católicos". Não consigo entender, especialmente porque sou um crente”, disse Podlesna.

"Ninguém deve ser excluído da sociedade", disse Elzbieta Podlesna à BBC na altura. "A orientação sexual não é um pecado ou um crime."

As acusações foram apoiadas por alguns políticos, como o então ministro do Interior do país, Joachim Brudzinski, que afirmou que "todo esse absurdo sobre liberdade e 'tolerância' não dá a ninguém o direito de insultar os sentimentos dos fiéis".

Também o presidente Andrzej Duda, um aliado do Partido Nacionalista Lei e Justiça (PiS),que foi reeleito por pouco para um segundo mandato em 2020, descreveu as campanhas pelos direitos LGBT como "ainda mais destrutivas" do que o comunismo.

Elzbieta Podlesna e as outros duais ativistas - Anna Prus e Joanna Gzyra-Iskandar - poderiam ter sido condenadas a uma pena de até dois anos de prisão se fossem considerados culpadas.

No entanto, o tribunal não encontrou evidências de crime e concluiu que as ativistas não eram motivadas pelo desejo de ofender os sentimentos religiosos de ninguém, mas apenas queriam defender aqueles que enfrentam discriminação, segundo informa a imprensa local.

O caso foi visto na Polónia como um teste à liberdade de expressão sob um governo profundamente conservador que tem lutado contra a secularização e as visões liberais. A Polónia não reconhece atualmente as uniões entre pessoas do mesmo sexo - sejam elas casamentos ou uniões civis. Casais do mesmo sexo também estão legalmente proibidos de adotar crianças. O aborto tem sido outro assunto polémico no país após a recente introdução de uma proibição quase total.

Maria João Caetano