A campanha #SelfieDéchets foi lançada por Fatoumata Chérif. Visa combater a poluição e a falta de canalizações de água em várias cidades africanas. E tudo começou com normais “selfies”, que, no caso, não foram sinónimo de exibicionismo ou individualismo.

Foi na Guiné que a ativista percebeu que fotografias com um cenário poluído podiam gerar mudanças. A blogger começou a tirar “selfies” inocentemente e, segundo o jornal El País, as fotografias permitiram-lhe denunciar a poluição existente nas ruas da capital, Conakri.

Chérif explicou que a campanha “decorre da observação do estado de insalubridade que chegou a Conakri, que já há algum tempo está a começar a ser considerada "cidade de lixo".

Senti-me afetada, como uma jovem ativista que sou, envolvida no desenvolvimento sustentável. Considerei que o meu dever era agir, intervir para mudar a situação e restaurar a imagem de uma cidade que eu amo. Lembrei-me das ‘selfies’ como uma ferramenta para chamar a atenção, para lançar uma voz de alerta”, contou Chérif.   

Quando esta iniciativa surgiu na Guiné, também na Costa do Marfim e na República Democrática do Congo estavam a decorrer ações semelhantes.A campanha desta consultora de comunicação digital é parecida com uma realizada por Tentative Jahboy, um promotor musical que usou as redes sociais, publicando fotografias e vídeos, para lançar a ideia #SauvonsKoumassi.

Aqui o objetivo era mudar as condições de vida dos moradores de Koumassi, na Costa do Marfim. Jahboy referiu que o problema daquele subúrbio são “os canos entupidos por lixo, areia e falta de manutenção”.

Já na República Democrática do Congo, Bienvenu Matumo também criou a campanha #KinPropre. O membro deste movimento diz que “aspiramos a viver num ambiente saudável. Um direito da nossa Constituição. Por isso entendemos que é um direito e um dever cívico exigir uma cidade limpa”.

Informar cidadãos

As campanhas têm em comum o facto de tentar chegar às pessoas e aos governos dos países.

No caso da #SelfieDéchets, a guineense acredita que quando “os cidadãos forem informados, podem tornar-se agentes de mudança”.

A maioria das pessoas que queimam lixo não sabem que isso gera toxinas perigosas para a saúde, [não sabem] que os resíduos lançados para o mar podem matar os peixes, que a agricultura está ameaçada, que os animais podem morrer depois de ingerir resíduos de despejos, que os lençóis de água causam inundações, que os resíduos médicos podem transmitir doenças…”, salientou Fatoumata Chérif.

O criador da campanha em Koumassi diferencia-se, na medida em que tem uma abordagem diferente. Jahboy diz que o objetivo é que “as autoridades atuem e intervenham (…) Os cidadãos não são responsáveis pelo que está a acontecer e um exemplo disso é que noutras partes da cidade, onde os tubos [das canalizações de água] não estão entupidos, as ruas estão limpas”.

É vergonhoso mostrar imagens das nossas condições de vida, mas não temos outro remédio senão fazê-lo, porque temos denunciado a situação uma e outra vez e nunca houve nenhum movimento. Agora não nos resta outra alternativa se não mostrar a todo o mundo estas imagens, para ver se as autoridades reagem”, referiu Tentative Jahboy.

As redes sociais têm sido uma mais-valia, pois como disse o congolês Bienvenu Matumo, têm “difundido a mensagem da campanha".

Os três defensores destas iniciativas ambientalistas conseguiram levar até aos mais jovens a força de combater a poluição através das redes sociais. As campanhas já deram frutos e as populações já meteram mãos à obra recolhendo resíduos das ruas, mas como diz Chérif “ainda há muita coisa para fazer e, por isso, não vamos baixar os braços”.