Medidas como a colocação de cidades ou países em quarentena para travar a pandemia de Covid-19 poderão ter que se manter até haver uma vacina eficaz, o que poderá demorar meses, segundo um estudo científico.

Numa investigação do Imperial College de Londres, projetaram-se cenários para as realidades do Reino Unido e dos Estados Unidos da América e a principal conclusão é que as medidas mais ligeiras de isolamento social (mitigação) não chegarão para conter o contágio e evitar a rutura dos sistemas de saúde.

Terão por isso que ser combinadas com outras mais restritivas num cenário de supressão da epidemia, como o fecho de escolas e universidades e medidas de isolamento social aplicadas a toda a população.

“O principal desafio da supressão é que este tipo de intervenção terá que se manter até haver uma vacina disponível”, o que poderá demorar “18 meses ou mais”, afirmam os investigadores, que preveem que o contágio voltará a aumentar se as medidas forem aliviadas.

As experiências da China e da Coreia do Sul, que impuseram medidas de quarentena estritas, foram possíveis “no curto prazo, mas continua por se saber se são possíveis a longo prazo e se os custos económicos e sociais das intervenções podem ser reduzidos”.

Os investigadores salientam que “não é certo que a supressão tenha sucesso a longo prazo”, destacando que “nunca se tentou uma intervenção de saúde pública com efeitos tão disruptivos na sociedade durante tanto tempo”.

“Não é claro como as populações e as sociedades vão reagir”, admitem.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 231 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 9.350 morreram.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 785, mais 143 do que na quarta-feira. O número de mortos no país subiu para três, segundo a DGS.

Dos casos confirmados, 696 estão a recuperar em casa e 89 estão internados, 20 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

O boletim divulgado pela DGS assinala 6.061 casos suspeitos até hoje, dos quais 488 aguardavam resultado laboratorial.

Das pessoas infetadas em Portugal, três recuperaram.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de hoje, depois de a Assembleia da República ter aprovado na quarta-feira o decreto que lhe foi submetido pelo Presidente da República, com o objetivo de combater a pandemia de Covid-19, após a proposta ter recebido pareceres favoráveis do Conselho de Estado e do Governo.

O estado de emergência proposto pelo Presidente prolonga-se até às 23:59 de 02 de abril, segundo o decreto publicado quarta-feira em Diário da República, que prevê a possibilidade de confinamento obrigatório compulsivo dos cidadãos em casa e restrições à circulação na via pública, a não ser que tenham justificação.