França prepara-se para voltar ao trabalho, após o período das férias, assim como os emigrantes portugueses no país, mas o setor da restauração continua a ser preocupante, bem como as associações, o atendimento consular e o ensino de português.

"O mais preocupante é toda a parte de restauração e organização de eventos. Aí podemos pensar que vai haver um grande impacto sobre este setor. [...] Vai haver falências de algumas empresas que não se vão conseguir sustentar", afirmou Carlos Vinhas Pereira, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, em declarações à agência Lusa.

Se as dificuldades podem agravar-se para quem tem restaurantes na comunidade devido às restrições ligadas à pandemia de covid-19, outros setores, como a construção civil, que perfaz entre 40% a 45% das empresas de portugueses em França, "não vão ter muito impacto".

"As empresas vêm com vontade de trabalhar e com espírito positivo", acrescentou Carlos Vinhas Pereira.

Carlos Alberto Gonçalves, deputado do PSD eleito pelo círculo da Europa, também está otimista em relação ao desempenho de grande parte das empresas portuguesas.

"Em França existe algum otimismo na recuperação económica que pode permitir a uma comunidade empreendedora como a nossa e muito menos dependente do que outras do Estado, que possa em 2021 recuperar caso a pandemia não estrague as previsões económicas", indicou.

Para o deputado social-democrata há outras preocupações na ‘rentrée’, como o ensino de português. "Os encarregados de educação de crianças que aprendem português não têm qualquer informação sobre o que vai acontecer", declarou.

Mas também em relação ao movimento associativo, que se encontra numa situação complicada devido à interdição de realização de eventos que sustentavam a sua atividade anual. 

"Chamámos a atenção na Assembleia da República que o movimento associativo face à situação excecional, deveria ter um apoio excecional", considerou Carlos Alberto Gonçalves, adiantando que muitas associações procuram apoios em França, tendo já desistido do apoio do Governo português.

Paulo Pisco, deputado do PS eleito pelo círculo da Europa, considera normal que o primeiro apoio venha de França, mas revelou que haverá novos apoios vindos de Portugal.

"O movimento associativo tem, desde logo de se socorrer das soluções que tem ao seu alcance de forma imediata, nas câmaras em França. Mas há a tradição também nas políticas públicas portuguesas que é a de fornecer apoios ao movimento associativo para reconhecer a importância na nossa comunidade. O Governo deu agora apoios periódicos e haverá abertura de novo concurso a partir de outubro", afirmou.

Para Paulo Pisco, a comunidade portuguesa em França é "resiliente", mas devem-se acompanhar os casos de pessoas em situação mais frágil. 

"Há pessoas que vão certamente perder rendimentos, empregos e até empresas e isso terá efeito na nossa comunidade. E é preciso que haja uma resposta, no que diz respeito ao Governo, porque há outras respostas que são responsabilidade dos países de acolhimento", indicou.

Quanto ao atendimento consular, Carlos Alberto Gonçalves alertou que há atrasos em Paris e noutras cidades. "Estamos a falar de um posto que é considerado exemplar, mas se Paris tem agendamentos que passam para outubro ou novembro, imagine-se outros países", concluiu o deputado.

A pandemia da covid-19 já provocou pelo menos 838 mil mortos e infetou quase 24,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, de acordo com um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

Na Europa, França é o terceiro país com mais vítimas mortais (30.602 em mais de 272 mil infeções).

A covid-19 é uma doença respiratória causada por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ AM