O secretário-geral do PSOE alertou este sábado contra os perigos de os espanhóis votarem no Vox (extrema-direita) que colou ao Partido Popular (direita), o inimigo político tradicional dos socialistas com quem se alternam na condução do Governo há dezenas de anos.

No segundo dia da campanha para as eleições de 10 de novembro próximo, Pedro Sánchez sublinhou que, para vencer a extrema-direita, é preciso “isolá-la” e defender valores democráticos, ao mesmo tempo que alertou que o Vox está “com o peito inchado” por ter conseguido unir o seu destino “ao da direita”.

As sondagens indicam que o Vox está a subir na intenção de voto dos eleitores e poderá ser o terceiro mais votado nas próximas eleições, depois do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) e do PP.

Todos contra o PSOE e o PSOE contra o bloqueio de todos, assim vai a campanha”, disse o candidato socialista, fazendo o resumo do debate televisivo entre os sete principais líderes parlamentares que teve lugar na noite de sexta-feira.

Por seu lado, o líder do PP, Pablo Casado, assegurou hoje que tem "as mesmas opções de governo" que o atual primeiro-ministro e candidato socialista, porque pode "dialogar, negociar e fazer pactos", como tem feito a nível regional e local.

O PP foi um dos partidos mais penalizado nas eleições regionais de 26 de maio último, mas conseguiu manter posições importantes, e mesmo ganhar a presidência de comunidades como a de Madrid, através de coligações com o Cidadãos (direita liberal) e o apoio parlamentar do Vox, como já tinha acontecido no ano passado na comunidade da Andaluzia que arrebatou aos socialistas.

Pablo Casado assegurou que já há um "empate técnico" com os socialistas para as eleições daqui a uma semana e pediu um "empurrão final" para ganhar a consulta eleitoral, um cenário que considera ser possível de alcançar se conseguir "unir os esforços" de todo o centro-direita.

O presidente do PP considera-se a única opção, entre os cinco líderes dos principais partidos que estarão num debate eleitoral muito esperado que se vai realizar esta segunda-feira, que garante a "alternância" contra um Sánchez que, segundo ele, não quis chegar a um acordo para formar Governo desde abril e que está a levar as próximas eleições como se estas fossem um "referendo a si próprio".

Entretanto a número dois do Cidadãos, Inês Arrimadas, apelou este sábado aos eleitores para não ficarem em casa, e irem votar, considerando que já “cheira a Andaluzia”, a comunidade autónoma onde em dezembro passado uma coligação de direita pôs fim a 38 anos de domínio do PSOE do Governo regional.

Por seu lado, o líder do Unidas Podemos (extrema-esquerda), Pablo Iglesias, está convencido de que Pedro Sánchez, desta vez, pode não precisar deste partido para governar, estando convencido de que o PP, através da sua abstenção, irá acabar por apoiar a investidura do líder socialista.

O PSOE deixou de ser um aliado” e só no caso de o Podemos estar muito forte é que os socialistas não terão outro remédio que não seja chegar a um acordo, disse Iglesias.

Por último, o líder do Vox, Santiago Abascal, acusou esta tarde o PSOE de tentar "cobrir" a "emergência social" sofrida por muitos espanhóis e a emergência "nacional" que se vive na Catalunha, trazendo à luz "velhos ódios".

Pedro Sánchez só pretende “desenterrar os ódios velhos dos espanhóis”, insistiu Abascal, acrescentando que os cidadãos devem estar “unidos” para enfrentar o “desafio à ordem constitucional” e o “golpe de Estado permanente” na Catalunha.

O ex-presidente do Governo Mariano Rajoy (PP) participou este sábado num comício deste partido, em que defendeu que Espanha está a "viver dos rendimentos das políticas de outros governos”, advertindo que "a herança não dá para viver indefinidamente".