O ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, disse na segunda-feira que, desde o início de setembro, já foram recolhidas mais de 100 toneladas de petróleo bruto no litoral nordeste do país.

[Estou] no estado do Sergipe, a fazer uma vistoria ao local de óleo nas praias. Desde 2 de setembro as equipas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), junto aos 42 municípios, Marinha e demais órgãos, recolheram mais de 100 toneladas de borra [resíduos] de petróleo", escreveu Salles na rede social Twitter.

O Governo estadual do Sergipe decretou o estado de emergência nos municípios atingidos pela substância, devido à extensão das manchas.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou na segunda-feira que as manchas de petróleo encontradas em mais de uma centena de praias no litoral nordestino não são do Brasil, hipótese que já tinha sido descartada por análises feitas por peritos.

Nós estamos a investigar, analisar, porque tem um ADN [informação genética]. Por exemplo, não é produzido em nenhum poço brasileiro. E esse óleo também não é comercializado de fora para cá. Então, [temos] uma certeza: não é do Brasil, não é responsabilidade nossa. A análise continua para saber se conseguimos detetar de que país é, da onde veio, qual navio petroleiro que derramou esse óleo lá", declarou Bolsonaro, citado pela imprensa local.

De acordo com o chefe de Estado, foram identificados, aproximadamente, 140 navios que atravessaram aquela região.

Temos no radar um país que pode ser a origem do petróleo, e continuamos a trabalhar da melhor maneira possível para dar, não só uma satisfação à sociedade, assim como para colaborar na questão ambiental", afirmou, sem referir, no entanto, qual o país de que suspeita.

As praias nordestinas têm sido interditadas a banhistas devido à toxicidade do material, que já matou tartarugas marinhas e aves.

A petrolífera estatal brasileira Petrobras afirma que a substância trata-se de petróleo bruto, e que não é compatível com substratos extraídos no Brasil.

No fim de semana, Jair Bolsonaro ordenou que a Polícia Federal e a Marinha se juntem à investigação dos derrames de petróleo que contaminaram o litoral do nordeste brasileiro nas últimas semanas.

A ordem, publicada no sábado no Diário Oficial da União, alarga uma investigação sobre a poluição que afetou, segundo as autoridades ambientais, as águas costeiras e dezenas de praias e que ainda não chegou à origem do derrame.

Desde o início de setembro que foram atingidos por estas manchas os estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão e Sergipe.

O único dos nove estados do Nordeste nos quais até ao momento não foram registadas estas manchas de petróleo bruto foi em Bahia.