James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz foram esta terça-feira distinguidos pela Academia Sueca com o Nobel da Física. Os astrónomos são responsáveis por novas teorias em cosmologia e pela descoberta de um planeta extra-sistema solar na órbita de uma estrela como o Sol.

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The 2019 #NobelPrize in Physics has been awarded with one half to James Peebles “for theoretical discoveries in physical cosmology” and the other half jointly to Michel Mayor and Didier Queloz “for the discovery of an exoplanet orbiting a solar-type star.” pic.twitter.com/BwwMTwtRFv

De acordo com a Academia, Peebles recebeu a distinção “por descobertas teóricas em cosmologia física” e Michel Mayor e Didier Queloz “pela descoberta de um exoplaneta orbitando uma estrela do tipo solar”.

Os vencedores recebem, atualmente, 9 milhões de coroas suecas, ou seja, cerca de 833 mil euros.

Nascido em Winnipeg, no Canadá, em 1935, Peebles é professor na universidade de Princeton e o seu trabalho na área da cosmologia permitiu chegar ao modelo esta terça-feira aceite sobre a história do Universo, que terá evoluído ao longo de 14.000 milhões de anos de uma esfera quente e densa para o universo atual: vasto, frio e em expansão.

Peebles "interpretou os vestígios da infância do universo e descobriu novos processos físicos", refere a Real Academia, acrescentando que o trabalho do laureado permitiu concluir que "apenas 5% do Universo observável consiste em estrelas e planetas".

Os restantes 95% são misteriosos e compostos do que os físicos chamam energia escura e matéria escura", indica, referindo que se teoriza que a "chamada energia escura mova a expansão do universo, enquanto a matéria escura é a substância invisível que parece rodear as galáxias, revelando-se apenas pelo seu efeito gravitacional".

Em entrevista à Academia, Peebles afirmou que é preciso admitir que "a matéria escura e a energia escura são misteriosas", com "muitas perguntas por responder".

Questionado sobre a hipótese de vida em outros planetas, afirmou ter bastante certeza de que existe, mas admitiu ser muito difícil calcular se assume a mesma forma que na Terra.

Em comunicado, a Universidade de Genebra afirmou que Mayor e Queloz reagiram ao prémio dizendo que a sua descoberta "é a mais importante" da sua carreira e que receber o Nobel por ela "é simplesmente extraordinário".

Recordam ainda que quando anunciaram a descoberta, há 24 anos, "ninguém sabia se os exoplanetas existiam ou não", porque "astrónomos ilustres procuravam-nos há anos, em vão".

Os três cientistas vão partilhar os cerca de 835 mil euros do prémio, que inclui ainda uma medalha e um diploma, que deverão receber numa cerimónia em Estocolmo a 10 de dezembro.

Esta segunda-feira já tinha sido entregue o Prémio Nobel da Medicina aos cientistas norte-americanos William Kaelin e Gregg Semenza e ao britânico Peter Ratcliffe pelas suas descobertas relativas à forma como as células se adaptam às diferenças de oxigénio.

Na quarta-feira será a vez de anunciar o Nobel da Química.