A advogada Zuzana Caputova venceu, no sábado, a primeira volta das eleições presidenciais na Eslováquia, alcançando cerca de 40% dos votos, enquanto o comissário europeu da Energia, Maros Sefcovic, não foi além de 18,6%, segundo resultados provisórios.

Quando estavam apurados mais de 98% dos votos, a advogada defensora do meio ambiente e acérrima crítica do governo Zuzana Caputova tinha garantido 40,5%.

Na segunda volta das eleições, marcada para 30 de março, irá defrontar o seu principal rival, Maros Sefcovic, 52 anos, apoiado pelo partido no poder, Smer-SD.

Estas eleições são encaradas como um teste para o partido populista no poder, um ano após as manifestações contra o governo e em plena crise política motivada pelo assassínio de um jornalista de investigação.

Zuzana Caputova, 45 anos, era a favorita neste escrutínio decisivo antes das legislativas de 2020, num país de 5,4 milhões de habitantes, membro da União Europeia (UE) e da NATO.

Como nenhum dos candidatos obteve 50% dos votos terá, então, de realizar-se uma segunda volta na eleição para presidente da Eslováquia, um cargo mais protocolar que executivo.

Vice-presidente do partido Eslováquia Progressista (PS, social-liberal), sem representação parlamentar, Caputova considera que “as pessoas apelam à mudança” e elegeu como frase de campanha “Lutemos contra o mal”.

A candidata participou nas manifestações de milhares de pessoas em protesto pelo assassínio, em fevereiro de 2018, do jornalista de investigação Jan Kuciak e da sua companheira.

O duplo crime e as apuradas investigações de Kuciak sobre presumíveis ligações entre responsáveis políticos eslovacos e a máfia italiana, publicadas postumamente, originaram uma crise no país e alertas sobre a liberdade dos 'media' e a corrupção.

A vaga de indignação esteve na origem da demissão do primeiro-ministro, Robert Fico, que permanece na liderança do Direção - Social-democracia (Smer-SD, populista de esquerda) no poder, e aliado próximo do atual primeiro-ministro Peter Pellegrini.

Analistas locais têm considerado que neste escrutínio decide-se um afastamento dos eleitores do populismo, associado à corrupção, e um novo estilo político reformista que restabeleça alguma confiança nas instituições.