A poucos dias das eleições, a campanha de Hillary Clinton volta a ser abalada por uma nova polémica: o FBI vai analisar novos emails da antiga secretária de Estado, que podem dar uma nova vida à investigação que foi encerrada em julho. A decisão está a motivar uma enxurrada de críticas e há já quem peça a demissão do diretor do FBI.

A notícia caiu que nem uma bomba na sexta-feira. O diretor do FBI, James Comey, informou o Congresso norte-americano de que a polícia federal obteve um mandado para investigar novos emails sobre Hillary Clinton. Emails que podem trazer informações “pertinentes” à investigação que foi encerrada em julho. O caso, recorde-se, tem a ver com utilização de um servidor privado para o envio de mensagens eletrónicas pela antiga secretária de Estado.

Os novos emails foram encontrados no âmbito de uma outra investigação, que começou a 22 de setembro. Anthony Weiner, um antigo congressista democrata envolvido numa série de escândalos, é suspeito de ter trocado mensagens de natureza sexual com uma menor de 15 anos.

Ora, Weiner era marido de Huma Abedin, assessora de Clinton. E no computador do democrata foram encontrados vários emails de Abedin, provenientes do servidor privado usado por Clinton.

James Comey teve conhecimento da existência destes emails em meados de outubro. Segundo fontes do FBI, citadas pela CNN, o responsável reuniu-se com altos oficiais da polícia para apurar se havia ou não matéria para investigação.

Mas o facto de ter informado o Congresso sobre a decisão e o momento em que o fez, a apenas 11 dias das eleições, está a indignar os democratas, que acusam o diretor do FBI de violar a lei e interferir nas presidenciais. 

Democratas querem demissão do diretor do FBI 

O líder do Partido Democrata no Senado, Harry Reid, fez um ataque cerrado a Comey, no domingo. O democrata acusou o diretor do FBI de violar a lei no sentido de influenciar as eleições.

Em causa está uma lei que os norte-americanos chamam de “Hatch Act” e que restringe a atividade dos funcionários federais para impedir que estes “influenciem ou interfiram no sentido de afetar os resultados de umas eleições”.

Mas Reid foi mais longe nas acusações, afirmando que o diretor do FBI não divulga “informações explosivas” sobre os “laços” entre Donald Trump e o governo russo, acusando-o, assim, de ter dois pesos e duas medidas.

O congressista democrata Steve Cohen, por sua vez, também apontou bateriais ao responsável e, num comunicado que partilhou no Twitter, apelou à sua demissão.

As críticas não ficam por aqui. Um grupo de antigos procuradores federais, liderado pelo ex-procurador Eric Holder, acusou Comey de violar a prática do Departamento de Justiça e de afetar, assim, o processo eleitoral, numa carta obtida pela Associated Press.

Que efeitos se podem esperar?

Na reação à notícia, Hillary Clinton, pediu ao FBI para divulgar os factos "imediatamente". Mas tudo indica que isso não irá acontecer antes do dia das eleições, 8 de novembro.

De acordo com a imprensa norte-americana, serão 650.000 os emails encontrados no computador de Weiner, o que torna muito improvável a possibilidade de, até lá, haver uma conclusão sobre os mesmos.

E, com esta nova polémica, os democratas temem que Clinton perca terreno na corrida à Casa Branca, depois de os escândalos de abusos sexuais que envolveram Donald Trump lhe terem dado um impulso significativo nas sondagens.

Os emails de Clinton têm perseguido a antiga secretária de Estado nesta campanha e, durante as primárias, foram um dos trunfos dos apoiantes de Bernie Sanders. Agora, a poucos dias das eleições, os analistas consideram que o caso pode voltar a influenciar a opinião dos eleitores independentes e dos indecisos.