Os Estados Unidos vão decidir se o republicano Donald Trump se mantém na Casa Branca ou se, pelo contrário, dá o seu lugar ao democrata Joe Biden.

Analistas e comentadores dizem que está em jogo o futuro do país e que este terá, inevitavelmente, consequências para todo o mundo.

As diferenças entre Trump e Biden ultrapassam em muito a forma e o estilo. Falámos, em muitos aspectos, de ideias radicalmente opostas. Reunimos e comparámos as principais propostas dos dois candidatos, nas diversas áreas de governação.

Saúde

  • Obamacare (programa de saúde lançado por Barack Obama)

Trump - O republicano não apoia o Obamacare e disse que ia propôr um plano de susbstituição, o que, até agora, não aconteceu. A administração de Trump apresentou um pedido ao Supremo Tribunal para eliminar o Obamacare. Entretanto, a maioria do Partido Republicano no Senado aprovou a nomeação da juíza conservadora Amy Coney Barrett para o Supremo Tribunal.

Biden - O democrata, que foi vice-presidente de Barack Obama, não só tem defendido o plano de saúde implementado na sua vice-presidência como criticado regularmente Trump pelos seus ataques ao programa. O candidato acusou Trump de ter nomeado a conservadora Amy Coney Barrett para o Supremo com o objetivo de eliminar o Obamacare em plena pandemia. Biden disse ainda que quer melhorar o Obamacare e dar a oportunidade a mais pessoas de escolherem um seguro de saúde público. A campanha do democrata defende que os imigrantes ilegais tenham também a possibilidade de aceder a um programa de saúde, sem receberem um subsídio.

Educação

Trump - O republicano rejeita a ideia de propinas gratuitas, associando esta medida a uma "agenda socialista". Por outro lado, apoia a utilização de verbas federais para que os alunos possam ingressar em universidades privadas.

Biden - O democrata defende que as propinas devem ser gratuitas para as famílias que ganhem menos de 125.000 dólares  (cerca de 105.000 euros) por ano. Biden põe-se a “vouchers” do governo para as escolas privadas.

Economia

  • Salário Mínimo

Trump - Em julho, falou na possibilidade de alterar o salário mínimo e mostrou abertura para um salário mínimo de 15 dólares por hora. Contudo, a sua campanha não clarificou essa posição nas publicações divulgadas.

Biden - Defende um salário mínimo de 15 dólares por hora.

  • Impostos

Trump - O presidente norte-americano implementou, durante o seu mandato, uma ambiciosa reforma fiscal que descreveu como um plano “para a classe média e para o emprego”. Esta reforma incluiu um grande corte na taxa de impostos das empresas: a taxa de impostos para as empresas diminuiu de 35% para 21%.

Biden - O democrata já fez saber que irá aumentar alguns dos impostos que foram alvo de cortes no mandato de Trump, mas que tiveram outros custos, nomeadamente a nível ambiental. Biden disse que vai subir a taxa de impostos para as empresas de 21% para 28%.

  • Segurança Social

Trump - O republicano disse em entrevistas que a sua administração iria proteger a Segurança Social e até se mostrou disponível para fazer alterações no sistema. No entanto, a sua campanha não esclareceu este assunto nas publicações divulgadas.

Biden - O programa de Biden quer prevenir os cortes na Segurança Social e alargar os benefícios aos cidadãos mais velhos.

  • Taxas sobre produtos da China

Trump -  O presidente norte-americano encetou uma guerra comercial com a China, atualizando uma lista de taxas sobre as importações provenientes da China.

Biden - O democrata já prometeu rever as taxas sobre produtos chineses implementadas por Trump.

Justiça

  • Imunidade qualificada que protege a polícia de ações judiciais

Trump - O presidente norte-americano já disse que a ideia de acabar com o princípio de “imunidade qualificada” que protege os polícia de ações judiciais é “louca”.

Biden - Um porta-voz do democrata afirmou que este princípio precisa de ser revisto, apesar de não concordar com o seu fim em absoluto.

  • Sentenças e prisões

Trump - O republicano tem sido um defensor da pena de morte ao longo dos anos e apoia ainda a utilização de prisões privadas. O líder norte-americano também defende o pagamento da fiança judicial e até o fim da liberdade provisória sem pagamento de fiança.

Biden - Biden, por sua vez, é contra a pena de morte e quer reunir esforços para acabar com o pagamento da fiança judicial.

Imigração

Trump - A administração de Donald Trump implementou uma política de imigração de "tolerância zero" para desencorajar os fluxos migratórios na fronteira dos Estados Unidos com o México, que permitiu acusar criminalmente os imigrantes que chegaram a território norte-americano sem documentos legais. Com esta política, milhares de famílias foram separadas nos centros de detenção de imigrantes. Por outro lado, uma das promessas do presidente norte-americano foi construir um muro maior e mais fortificado na fronteira com o México. Apesar de ter dito que os mexicanos é que iam pagar a estrutura, o projeto tem sido financiado inteiramente pelo governo americano.

Biden - O democrata é um crítico das políticas de imigração da administração Trump e já disse que pretende dar a cidadania americana aos 800 mil residentes que chegaram ilegalmente ao país enquanto crianças. O candidato também já reiterou que não vai continuar a edificar um muro maior na fronteira e que, em vez disso, pretende investir na segurança eletrónica das fronteiras norte-americanas. Biden diz no seu plano que o "racismo sistémico" infetou "o sistema de imigração dos Estados Unidos".

Política externa

  • NATO

Trump - O presidente norte-americano tem-se queixado frequentemente que o financiamento da NATO, no qual os Estados Unidos são o maior contribuinte, não é justo nem aceitável. Trump tem ameaçado retirar o país da organização.

Biden - O democrata defende “a restauração das parcerias históricas” incluindo a NATO.

  • Afeganistão

Trump - A atual administração norte-americana apoia as negociações de paz entre o governo do Afeganistão e os talibãs, pretendendo a retirada das tropas americanas de solo afegão.

Biden - O democrata diz que vai retirar a grande maioria das tropas americanas do Afeganistão e estreitar o foco da missão norte-americana nas organizações terroristas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

  • Acordo entre Israel e Emirados Árabes Unidos

Trump - O presidente norte-americano anunciou um histórico acordo de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, que suspende os planos de anexação de territórios da Cisjordânia. Este acordo é uma das mais importantes conquistas diplomáticas de Trump.

Biden - O democrata congratulou-se com o acordo de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.

  • Irão

Trump - O presidente norte-americano rasgou o acordo nuclear assinado por Barack Obama com o Irão, classificando o país como um "regime de grande terror".

Biden - O democrata considera que decisão de Trump fez com que o Irão "recomeçasse o seu programa nuclear e se tornasse mais provocador". O candidato tentará negociar com o regime de Teerão.

  • Embaixada em Jerusalém

Trump - O republicano mudou a embaixada norte-americana em Israel de Telavive para Jerusalém, numa ação que mudou uma política de décadas e rompeu com o consenso internacional sobre Jerusalém (cidade com um estatuto especial porque israelitas e palestinianos a querem para capital).

Biden- O candidato presidencial já fez saber que, se for eleito, a embaixada em Israel permanece em Jerusalém, apesar de considerar "irresponsável" a decisão do presidente norte-americano de a ter retirado de Telavive. Biden ressalvou que uma nova mudança geográfica da embaixada não ia ajudar no processo de paz entre Israel e a Palestina.

Clima

Trump - O presidente norte-americano tem sido criticado por desvalorizar e até negar as alterações climáticas. Trump revogou mesmo a política de proteção ambiental do seu antecessor, abandonando a política de redução de emissões de dióxido de carbono, e retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, destinado a limitar o aquecimento global.

Biden - Apesar de a agenda do democrata não dar grande ênfase à questão do clima, Biden promete investir numa "revolução de energia limpa e numa justiça ambiental" na próxima década e fazer com que os Estados Unidos voltem a integrar o Acordo de Paris.

Direitos LGBTI

Trump - Organizações e ativistas têm tecido duras críticas às políticas da administração conservadora de Donald Trump em relação aos direitos LGBTI. Trump opôs-se à Lei da Igualdade, um projecto de lei para assegurar protecções federais para a comunidade LGBTI, revogou uma medida de Obama que visava proteger os estudantes transgéneros nas escolas públicas e proibiu os transgéneros de servirem nas Forças Armadas.

Biden - Biden demonstrou apoio aos casamento entre homossexuais quando era vice-presidente dos Estados Unidos, em 2012, e antes de Obama o fazer. O democrata prevê no seu programa de campanha um plano para a igualdade de direitos LGBTI e medidas para proteger homossexuais e pessoas trangénero.

Sofia Santana