O ex-primeiro-ministro francês Alain Juppé está na frente da corrida ao Eliseu, é tido pelos analistas como o favorito à vitória nas Presidenciais de 2017, e, numa altura em que ainda vão decorrer as primárias do centro-direita para escolher o candidato, nas quais também é favorito, recusa comparações com o que aconteceu nos Estados Unidos.

“Eu não sou Hillary Clinton e França não é a América”, afirmou Juppé, nesta sexta-feira, em entrevista à rádio pública francesa, franceinfo, no dia seguinte ao terceiro e último debate entre os sete candidatos de centro-direita, sobre a possibilidade de ser derrotado não só nas primárias de centro-direita como nas Presidenciais marcadas para abril e maio do próximo ano.

O antigo governante, atual autarca de Bordéus, recusou comparações com Hillary Clinton, que, contra as expectativas, perdeu a Casa Branca para Donald Trump, quando ele nesta fase é o favorito das primárias e das Presidenciais.

A França, como disse Juppé, não é os Estados Unidos, mas o que aconteceu nas presidenciais norte-americanas, com a vitória-surpresa de Donald Trump, está a dominar a atualidade, particularmente a europeia, que não só teme o crescimento da extrema-direita, como passou a olhar para as sondagens de outra forma.

Tal como Hillary Clinton, e ainda que numa fase inicial de seleção de candidatos, Alain Juppé lidera as sondagens, não só entre os candidatos da mesma ala, como frente à candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, ao independente Emmanuel Macron, e até mesmo frente ao socialista e ainda Presidente, François Hollande, que não formalizou, até ao momento, qualquer candidatura.

Mas as contas não estão a ser fáceis para Juppé. O debate televisivo na noite de quinta-feira atingiu-o em benefício de François Fillon, também ele ex-primeiro-ministro, a três dias das primárias de domingo (haverá uma segunda volta no domingo seguinte, dia 27, se nenhum candidato tiver mais de 50% dos votos).

François Fillon e Nicolas Sarkozy, colegas de partido e ex-colegas de Governo, são os principais adversários de Juppé, respetivamente terceiro e segundo classificados na corrida. Ambos conseguiram reduzir a margem para Juppé e Fillon conseguiu, inclusive, sair vencedor do último debate, um contratempo que Juppé não esperava e que aproveitou para atacar na entrevista radiofónica de hoje, dizendo que Fillon “tem o projeto mais audacioso, mas também o menos credível”.  

Há vários meses que Juppé, 71 anos, tem liderado as sondagens e, a confirmar-se a vitória nas primárias, os analistas acreditam que também sairá vencedor das Presidenciais (23 de abril), beneficiando das divisões à esquerda e do receio de muitos eleitores face ao crescimento da Frente Nacional de Marine Le Pen, que o primeiro-ministro Manuel Valls disse que poderá ir à segunda volta (7 de maio).

Catarina Machado