A investigadora de psicologia política Bethany Albertson considerou este sábado que o possível anúncio dos Estados Unidos da América (EUA) de uma vacina antes de novembro não vai alterar o nível de confiança dos eleitores no presidente Donald Trump.

Na visão de Bethany Albertson, investigadora de psicologia política e professora na Universidade do Texas, a existência de uma vacina “é uma mensagem que vai ressoar e tranquilizar os eleitores republicanos”, mas é pouco provável que produza satisfação nos democratas, mantendo-se assim o mesmo nível de confiança até à eleição presidencial de 3 de novembro.

As autoridades de saúde pediram que os estados norte-americanos estejam preparados para a distribuição massiva de uma vacina contra a covid-19 até 1 de novembro e que tornem “totalmente operacionais” os centros de distribuição, nomeadamente com levantamento de restrições ou com emissão de autorizações e licenças.

À agência Lusa, Bethany Albertson explicou que “existem muitos ‘se’” para poder prever o comportamento das eleições, no caso de haver uma vacina antes de 3 de novembro.

Se houver uma vacina, se for confiada, se for distribuída de maneira que os americanos a possam receber – são muitos, muitos ‘se’ para dar liberdade ao presidente de recolocar o debate na economia e de estar numa situação muito melhor. Mas não antecipo que esse mundo exista”, disse a autora de estudos e de um livro sobre ansiedade política.

Bethany Albertson explicou que o foco no desempenho económico é o que mais favorece Donald Trump na visão dos cidadãos, enquanto o debate em saúde pública resulta em maior confiança dos eleitores no oponente democrata Joe Biden.

Desse modo, segundo Albertson, a campanha de Donald Trump pretende dar muito mais ênfase à economia para reforçar a liderança do empresário e atual presidente.

A investigadora disse que “o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças [CDC] pediu aos estados para estarem prontos para uma vacina”, mas “as pessoas acreditarem que isso vá acontecer é altamente dependente do partidarismo”.

 “Os democratas e os independentes são profundamente céticos” nas soluções apontadas pela liderança do país, acrescentou.

Segundo a investigadora, a maior preocupação dos eleitores no momento atual é a pandemia de covid-19, que está a destruir economias e que já matou mais de 186 mil pessoas nos EUA.

As sondagens não demonstram alterações significativas na base de apoio para o “quadro de lei e de ordem” que Donald Trump defendeu, em resposta aos “tumultos à volta de protestos ou homicídios policiais de negros”.

Os americanos brancos, em particular, ficaram mais preocupados por causa da agitação, mas as preocupações com a covid ainda são muito mais proeminentes e centrais nesta eleição do que os problemas raciais ou a economia”, considerou.

Albertson defendeu que o “partidarismo está a moldar a forma” como vemos esta crise e se pensamos “que se trata mesmo de uma crise”.

O partidarismo influencia a forma como os cidadãos se tentam proteger do novo coronavírus e em que informações confiam, sustentou a professora.

Seguindo as indicações dos democratas, as pessoas ficam muito mais tempo em casa, usam máscaras e compram mais gel desinfetante. Pelo contrário, dos que seguem indicações dos republicanos, são poucos os que querem usar máscara e muitos os que participam em ajuntamentos numerosos.

A investigadora concluiu também que as preferências sobre esta eleição em particular já se definiram há vários meses e têm sofrido poucas alterações, o que constitui um clima “pouco comum” na política e “muito polarizado”, em que restam poucos eleitores que ainda não estão decididos em quem votar.

Normalmente, explicou Bethany Albertson, deviam notar-se fortes variações de tendências de voto durante as convenções dos partidos (a convenção democrata realizou-se de 17 a 20 de agosto, a republicana de 24 a 27 de agosto) e depois dos anúncios dos candidatos a vice-presidentes.

Os EUA são o país com mais mortos (187.696) e também com mais casos de infeção confirmados (mais de 6,1 milhões).

A pandemia de covid-19 já provocou quase 870 mil mortos e infetou mais de 26,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

As medidas para combater a pandemia paralisaram setores inteiros da economia mundial e levaram o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 4,9% em 2020, arrastada por uma contração de 8% nos EUA, de 10,2% na zona euro e de 5,8% no Japão.

/ AG