O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cancelou a viagem para participar no Fórum Económico Mundial de Davos, que decorre entre 21 e 24 de janeiro, na Suíça, informou hoje o porta-voz do Governo brasileiro.

Para Davos, a saída do Presidente foi cancelada, falei com ele recentemente", disse o porta-voz e general Otávio Rego Barros numa conferência de imprensa em Brasília.

O porta-voz afirmou que as razões do governante para não comparecer à tradicional reunião de líderes em Davos são diversas, embora tenha esclarecido que isto não foi decido "exclusivamente por razões de segurança".

Rego Barros frisou que Bolsonaro e seus assessores analisaram uma série de fatores, citando questões económicas, de segurança e políticas.

A soma desses aspetos, uma vez apreciados pelo Presidente, permitiu-lhe avaliar que não seria o caso, neste momento, de participar desse fórum ", explicou.

Segundo Rego Barros, a segurança é "um dos aspetos analisados pelo Conselho do Presidente", embora não seja "prioritário" nem "minoritário", mas descartou que o agravamento do conflito entre os Estados Unidos e Irão tenha pesado na decisão.

Na segunda-feira, o Presidente do Brasil já havia colocado em causa a viagem ao fórum económico e citou implicitamente a crise no Médio Oriente como um dos motivos.

Existe a possibilidade de não ir [ao Fórum Económico Mundial, em Davos]. Não vou entrar em detalhes (...), vou dar uma pista. O mundo tem seus problemas, uma questão de segurança", disse Jair Bolsonaro, numa resposta aos jornalistas à saída do Ministério de Minas e Energia, em Brasília.

Questionado sobre a ação militar dos Estados Unidos, o Presidente brasileiro evitou criticar o homólogo norte-americano, Donald Trump, por quem afirmou ter afeto e respeito.

Na sequência do assassínio de Soleimani, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro divulgou um comunicado em que condenava o ataque à embaixada dos EUA em Bagdade, mas não a morte do general iraniano no ataque ordenado por Trump.

No mesmo comunicado, o Governo brasileiro acrescentou apoiar a luta "contra o flagelo do terrorismo" e ofereceu-se para evitar a "escalada de conflitos" no Médio Oriente.

Qassem Soleiman, figura-chave da crescente influência iraniana no Médio Oriente, morreu na sexta-feira num ataque dos Estados Unidos com um 'drone' [aparelho aéreo não tripulado], em Bagdade, juntamente com o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque Hachd al-Chaab, Abu Mehdi al-Muhandis, e outras seis pessoas.

O Irão prometeu vingança e anunciou no domingo que deixará de respeitar os limites impostos pelo tratado nuclear assinado em 2015 com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Rússia, França, Reino Unido, China, Estados Unidos - mais a Alemanha), e que visava restringir a capacidade iraniana de desenvolvimento de armas nucleares. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em maio de 2018.

Mais de uma dúzia de mísseis iranianos foram lançados hoje de madrugada contra duas bases iraquianas com tropas norte-americanas, em Ain al-Assad (oeste) e Erbil (norte).

O ataque foi reivindicado pelos Guardas da Revolução iranianos como uma “operação de vingança”, em retaliação pela morte do general Qassem Soleimani, comandante da sua força Al-Quds, na sexta-feira, num ataque aéreo em Bagdade ordenado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

A televisão estatal iraniana referiu que aquela operação militar foi designada “Mártir Soleimani” e que matou “pelo menos 80 militares norte-americanos”, mas Donald Trump negou a existência de baixas.

Numa comunicação ao país, o presidente dos EUA anunciou que Washington vai intensificar sanções económicas contra o Irão, mas não referiu nova retaliação militar.