A organização não-governamental (ONG) Justiça Venezuelana denunciou, na quarta-feira, que pelo menos 152 militares estão detidos na Venezuela, 60 deles desde janeiro de 2018, por motivos políticos.

São detenções arbitrárias. Estes funcionários foram detidos sem o início de uma investigação. Não há uma investigação prévia e não foram capturados em flagrante delito", denunciou a porta-voz da ONG.

Segundo Lília Camejo, vários militares detidos "chegaram às respetivas audiências de apresentação com sinais de tortura, tratamentos cruéis e desumanos, ocorridos no momento em que foram detidos pelos organismos de segurança do Estado".

Um chegou à audiência com as costelas partidas, outros com lacerações nos pulsos", explicou.

As denúncias foram feitas durante uma reunião de representantes da ONG, de familiares e de defensores das vítimas com a Comissão Permanente de Defesa e Segurança da Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela, onde a oposição detém a maioria.

Durante a reunião foi pedido ao parlamento venezuelano que ajude a libertar os militares venezuelanos detidos.

Entretanto, a ONG Foro Penal Venezuelano anunciou, na quarta-feira, que um tribunal militar voltou a condenar quatro civis e quatro militares pelo alegado envolvimento num "golpe azul", um movimento contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro.

A imprensa venezuelana dá conta que estes oito acusados já tinham sido sentenciados, em 2015, por delitos contra o decoro militar, instigação à rebelião e uso de uniformes militares.

Em dezembro de 2017, o julgamento foi anulado.

Os detidos, segundo a imprensa venezuelana, pediram para mudar as declarações prestadas e admitiram os factos de que eram acusados, o que resultou numa redução da sentença inicial, de até 10 anos de prisão, para entre três e cinco.

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