Prisões dos Estados Unidos e de Hong Kong estão a ser utilizadas como fábricas de produção de máscaras respiratórias e gel desinfetante, num momento em que várias ONG´s alertam para a vulnerabilidade dos presos relativamente a uma infeção de Covid-19.

Segundo a agência Reuters, a população feminina da prisão de Lo Wu, em Hong Kong, tem feito turnos noturnos para produzir 2.500 máscaras por mês, de forma a colmatar a grande procura na região.

É uma exploração e mais uma forma de escravatura moderna”, afirmou em entrevista à Reuters, Shiu Ka-chun, uma ativista pelos direitos prisionais.

No entanto, esta terça-feira, a administração da prisão de Lo Wu defendeu a medida, sublinhando que nenhum trabalho é forçado e que as mulheres devem indicar aos guardas prisionais se não quiserem trabalhar nos turnos da noite.

Fonte do governo de Hong Kong adiantou ainda que cerca de 1.200 guardas prisionais, incluindo reformados, estão a trabalhar para produzir máscaras.

Esta é uma medida que já tinha sido implementada em 2013. Na altura, a prisão de Lo Wu foi responsável por produzir cerca de 50 mil máscaras respiratórias por dia para combater a gripe A.

 

Esta segunda-feira, o presidente da câmara de Nova Iorque anunciou que o Estado irá utilizar trabalho prisional para produzir 379 mil litros de gel desinfetante que serão colocados em escolas, prisões, transportes públicos e edifícios públicos. 

Em conferência de imprensa, o autarca afirmou que a medida foi tomada devido à escassez gerada pelo surto de Covid-19 nos Estados Unidos.

No entanto, esta medida atraiu críticas devido À vulnerabilidade a que os presos estão sujeitos.

Considerando que muitos presos estão sujeitos a condições desumanas, incluindo a falta de sabão e gel desinfetante, esta medida é extremamente redutora, irónica e exploradora”, disse a deputada democrata Ayanna Pressley no Twitter.

Segundo a União Americana pelas Liberdades Civis, a maior parte da população encarcerada sofre de problemas de saúde devido à falta de acesso a cuidados de higiene.

Quando uma doença contagiosa chega às prisões, as condições nestes estabelecimentos são propícias a uma propagação em alta escala. A população nas prisões vive muito próxima. Muitos vivem em dormitórios de grandes dimensões, partilhando o mesmo espaço. Além disto, produtos sanitários e de higiene são muitas vezes rejeitados aos presos, tornando o controlo de uma infeção quase impossível", explica a ONG.

O perigo a que os presos estão sujeitos ganhou uma nova dimensão esta semana quando sete presos morreram em Itália durante um protesto contra as medidas de contenção nas prisões, que incluem a restrição de visitas familiares.

 

 

O ministro da Justiça italiano, Alfonso Bonafede, disse que o governo está disposto a discutir as condições prisionais desde que seja colocado um travão aos protestos.

Por outro lado, o líder da oposição de extrema-direita, Matteo Salvini, pediu uma intervenção de “punho de ferro”.

Itália - o país da Europa mais afetado pelo novo coronavírus - registou, até ao momento, mais de mil mortos devido à pandemia.

/ HCL