O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que o seu país dispõe de “provas concludentes” sobre um programa secreto iraniano para obter armas nucleares.

Netanyahu, um virulento crítico do acordo internacional sobre as atividades nucleares do Irão, exprimia-se na aproximação da data limite de 12 de maio, fixada pelo Presidente dos EUA Donald Trump, em que será decidida uma eventual denúncia por Washington do acordo concluído em 2015.

O primeiro-ministro israelita assegurou que o seu governo obteve “meia tonelada” de documentos secretos iranianos que provam a existência de um programa de armas nucleares.

Ao referir-se a uma “grande proeza dos serviços de informações”, Netanyahu assegurou que os documentos demonstram as ambições nucleares iranianas antes da assinatura do acordo de 2015 com as potências mundiais.

O Irão tem rejeitado todas as alegações sobre a existência de um programa de armamento nuclear.

Durante uma intervenção transmitida pela televisão, e apoiando-se em fotos e gráficos, Netanyahu disse que Israel conseguiu recentemente desvendar 55.000 documentos e 183 CD de informações provenientes dos “arquivos nucleares” do Irão.

Exprimindo-se em inglês, talvez a pensar na sua audiência internacional, disse ainda que o material contém provas incriminatórias e que demonstram que o programa iraniano, designado “Projeto Amad”, se destina a desenvolver a arma nuclear.

Em 12 de maio o Presidente Donald Trump decide sobre a eventual retirada dos EUA do acordo internacional com o Irão. Netanyahu tem emitido diversos apelos a Washington para que anuncie essa retirada.

Reticências da União Europeia

A representante para a Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou entretanto que as alegações do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não parecem comprovar que o Irão está a violar o acordo nuclear assinado em 2015.

Federica Mogherini disse, numa primeira reação às declarações do primeiro-ministro israelita, sobre o programa nuclear do Irão, que o que viu “nos primeiros relatórios” é que Benjamin Netanyahu “não colocou em questão a conformidade do Irão” para com o acordo.

A responsável pela diplomacia europeia salientou que, “em primeiro lugar e acima de tudo”, deve ser a Agência Internacional de Energia Atómica a avaliar se o Irão está a cumprir o acordo, explicando que esta é a “única organização internacional imparcial que está encarregada de monitorizar os compromissos nucleares do Irão".

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Yavad Zarif, criticou as "supostas revelações de informações" do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que acontecem pouco antes de Washington decidir se vai ou não abandonar o acordo nuclear.

Que conveniente”, disse Mohamad Yavad Zarif na sua conta oficial da rede social Twitter, referindo que antes de 12 de maio, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai tomar uma posição sobre o acordo assinado em 2016 entre o Irão e seis potencias mundiais.

O presidente dos Estados Unidos subscreveu a apresentação de alegados documentos secretos iranianos pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que disse serem provas de que o Irão mentiu sobre o programa nuclear.