O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desmentiu na quarta-feira tencionar destruir a propriedade privada, porque as diferentes instâncias do seu Governo trabalham para que os venezuelanos se convertam em proprietários, escreve a Lusa.

«A mim, Hugo Chávez, acusam-me de querer destruir a propriedade privas, mas o que não dizem esses porta-vozes da oligarquia é que o meu governo está entregando propriedade privada, como estas casas, com as quais fazemos que o povo seja proprietário», disse.

440 apartamentos

Hugo Chávez falava no complexo de desenvolvimento urbanístico Cacique Tina, em Altos de La Rinconada, a sul de Caracas, onde entregou 440 apartamentos, de 71 metros quadrados cada, a mais de duas mil pessoas que viviam em bairros de lata de Coche, Turmerito, El Valle e Las Mayas.

«Eles, os que me acusam, o fazem porque querem proteger as suas grosseiras propriedades, porque se apoderaram de quase toda a cidade de Caracas, açambarcaram riquezas durante tanto tempo», disse.

Chávez acusou os detractores de durante mais de 200 anos se servirem das riquezas da nação em prejuízo do povo.

A mim não me importa o seu veneno

«Sai-lhes o veneno mas a mim não me importa o seu veneno, estamos aqui a fazer justiça, estamos em revolução (...) a revolução é isto, terra para o camponês, trabalho para o operário, casa para a família, escola para os meninos, educação para o povo», vincou.

Explicou que «o povo em capitalismo está condenado ao "rancho" (casa de lata), só o socialismo torna possível que tenham uma casa digna» e garantiu que «a construção de casas por parte do Governo e o investimento social não se deterá», apesar da crise económica que abala o mundo.

Por outro lado, chamou «expropriadores» aos empresários opositores do seu regime, e acusou-os de terem ocupado terras do Estado, que estão a ser recuperadas para cultivar alimentos.

«Não condenamos a propriedade privada»

«Nós não condenamos a propriedade privada, tanto é assim que nós estamos a entregar os títulos de propriedade privada destes apartamentos (...) o que combatemos e combateremos sempre é que se use a propriedade privada para atropelar a Constituição e as leis, como as fábricas de arroz que se negavam a produzir arroz (a preço) regulado».

Chávez sublinhou que as empresas multinacionais que tenham sucursais na Venezuela devem subordinar-se aos interesses nacionais, às leis e à Constituição

«Digam o que disserem os capitalistas que não me importa. Só me importa a justiça social do povo venezuelano e continuarei nessa direcção sempre (...) quanto mais se metem comigo mais eu avanço. Continuem metendo-se comigo e com o povo que mais duro avanço (...) cumprirei com o que jurei, dar ao povo o que é do povo», sublinhou.