Um grupo de activistas incendiou, esta quinta-feira de manhã, uma esquadra da polícia na cidade egípcia de Suez, em solidariedade com os manifestantes mortos durante os protestos anti-governamentais, que decorrem há três dias em várias cidades do país.

Uma testemunha citada pela agência Reuters conta que os agentes da polícia conseguiram abandonar a esquadra antes de o grupo a incendiar com bombas caseiras.

Outras dezenas de manifestantes reuniram-se, também esta quinta-feira de manhã, em frente a um outro posto policial a exigir a libertação de familiares que foram detidos nos protestos dos últimos dias.

Ao terceiro dia de protestos no Egipto contra o Presidente Hosni Mubarak, que se encontra no poder desde 1981, a Procuradoria-Geral da República acusa 40 manifestantes de tentarem «derrubar o regime». A notícia é avançada pela estação de televisão al-Arabiya.

Opositor ElBaradei anuncia regresso ao Egipto

O opositor egípcio e antigo responsável internacional Mohamed ElBaradei, vai regressar esta quinta-feira à noite ao Cairo para participar nos protestos anti-governamentais, avança a Lusa. Abdul-Rahman Samir, porta-voz do prémio Nobel da Paz egípcio, especificou que ElBaradei deverá associar-se aos protestos previstos após as orações de sexta-feira.

ElBaradei, antigo director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), emergiu como um dos principais opositores do presidente egípcio Hosni Mubarak desde que regressou ao país em 2010.

«Se os tunisinos fizeram, os egípcios também devem conseguir», declarou ElBaradei à revista alemã «Der Spiegel», ao comentar uma possível inspiração da «Revolução do Jasmim» da Tunísia no Egipto.

ElBaradei não possui um partido reconhecido, mas formou um movimento, a Associação Nacional para a Mudança, que defende reformas democráticas e sociais.
Redação / AR