A polícia tailandesa utilizou canhões de água e gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes que se encontravam esta terça-feira junto ao parlamento. Várias pessoas ficaram feridas na sequência dos confrontos que surgiram depois de um protesto que exige reformas constitucionais que iriam afetar a monarquia do país.

Os manifestantes exigem exigem a demissão do primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha, um antigo militar, mas o grande objetivo é limitar o poder do rei Vajiralongkorn.

Com várias pessoas a tentarem romper as barreiras da polícia, as autoridades acabaram por recorrer à força sobre as dezenas de manifestantes que se encontravam no local.

Os feridos foram transportados para um hospital da capital Banguecoque, sendo que pelo menos cinco pessoas foram internadas.

Entretanto a polícia proibiu quaisquer ajuntamentos numa perímetro de 50 metros em torno do parlamento.

Os manifestantes tentaram quebrar as barricadas para entrarem numa área restrita", afirmou o porta-voz da polícia, Kissana Phathanacharoen, em declarações reproduzidas pela agência Reuters.

O parlamento discute por esta altura várias propostas que têm em vista algumas emendas à constituição, incluindo algumas que excluem a possibilidade de mudanças na forma como a monarquia é tratada.

Em discussão está também o papel da câmara alta do Senado, que foi integralmente escolhida pelo primeiro-ministro.

Várias propostas de alterações foram apresentadas ao parlamento por parte da oposição e por uma organização não-governamental (ONG), visando nomeadamente reformar o Senado, a Comissão Eleitoral e o Tribunal Constitucional, considerados demasiado próximos do exército.

Uma das propostas também prevê que o primeiro-ministro seja nomeado a partir das fileiras do parlamento.

Os 250 senadores, nomeados pela junta, não deverão concordar facilmente em reduzir as suas prerrogativas e uma possível mudança constitucional levará muito tempo de qualquer maneira, segundo a avaliação de especialistas.

Os defensores da realeza também se reuniram perto do parlamento pela manhã para se opor a qualquer reforma.

A modificação da Constituição levará à abolição da monarquia”, declarou Warong Dechgitvigrom, fundador do grupo de defesa da realeza Thai Pakdee (“Tailandeses Leais”).

O movimento pró-democracia garante que deseja modernizar a monarquia, mas de forma alguma quer aboli-la.

António Guimarães / com Lusa