O líder do PSOE defendeu este domingo que prefere um Governo das esquerdas, enquanto o do PP acredita que há um “empate técnico", num dia em que foi publicada uma sondagem que aponta para a manutenção do bloqueio político em Espanha.

A uma semana das eleições de 10 de novembro, Pedro Sánchez, atual primeiro-ministro e cabeça de lista do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) pela quarta vez nos últimos quatro anos, renovou hoje em entrevista à La Vanguardia a sua vontade de liderar um Governo de esquerda.

Sempre olhámos para a esquerda e o Unidas Podemos [extrema-esquerda} é o nosso parceiro preferido. Mas nos últimos quatro anos, em quatro ocasiões, bloquearam a formação de um governo progressista”, afirmou o secretário-geral do PSOE, que lidera as sondagens, insistindo na “afinidade das políticas setoriais” com aquele movimento.

Por seu lado, Pablo Casado, o líder do PP (Partido Popular, direita) e principal partido da oposição, a crescer nas sondagens, prevê um cenário de “empate técnico” e apela ao voto útil dos eleitores do Cidadãos (direita-liberal) e do Vox (extrema-direita).

Numa entrevista ao El Mundo, Casado acusa Sánchez de “não ter feito nada para restabelecer a ordem” na Catalunha, porque os socialistas “precisam” do apoio dos independentistas, responsabilizando também o primeiro-ministro em funções por possíveis atos de violência que ocorram nesta região de Espanha nos próximos dias, a começar já na segunda-feira quando o rei de Espanha visitar Barcelona.

O diário El País publica hoje uma sondagem que indica a vitória do PSOE nas eleições de 10 de novembro próximo, mas com o partido a perder força em relação às eleições de abril último, mantendo-se a situação de bloqueio político no país.

A uma semana da nova consulta eleitoral, o estudo de opinião prevê que o partido de extrema-direita Vox quase duplica o número de deputados no parlamento e pode passar a ser a terceira força política nacional com 13,7% dos votos, a seguir ao PSOE com 27,3% e ao PP com 21,2%.

No terceiro dia da campanha eleitoral, vários cabeças de lista partidários, entre eles Pedro Sánchez, aproveitaram para se preparar para o único e muito esperado debate eleitoral que vai ter lugar na noite de segunda-feira na televisão.

A candidata por Barcelona do Cidadãos, o partido mais penalizado na sondagem, Inês Arrimadas, atacou hoje o PSOE e o PP por terem Governado com maioria absoluta no passado, deixando “a Catalunha em apuros” e preparando-se agora para “fazer o mesmo”, a não ser que a sua formação também esteja no executivo.

Por seu lado, o candidato principal do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, pediu o voto dos "socialistas de coração", que queiram que este movimento esteja no próximo Governo para que, segundo ele, sejam realizadas as mudanças sociais que o PSOE não fará se estiver sozinho no executivo.

Iglesias também incluiu o PSOE entre os partidos que considera "constitucionalistas da charanga [instrumentos de sopro] e pandeireta" e assegurou que os socialistas, PP, Cidadãos e Vox "competem para ver quem tem a maior bandeira" de Espanha.

As eleições daqui a uma semana são as quartas nos últimos quatro anos, sem que os vários executivos investidos tenham conseguido assegurar a estabilidade necessária para governar durante uma legislatura completa.

Nas últimas eleições, em 28 de abril último, o PSOE foi o partido mais votado mas longe da maioria absoluta, não tendo conseguido receber o apoio suficiente para continuar a governar, principalmente do Unidas Podemos com quem negociou.

O PSOE obteve nessa consulta eleitoral 123 deputados (28,68% dos votos), o PP 66 (16,70%), o Cidadãos 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%) e o Vox 24 (10,26%), tendo os restantes deputados sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

Para ser investido, o Congresso dos Deputados (câmara baixa das Cortes Gerais espanholas) tem de votar o novo executivo com mais de metade dos deputados (175 num total de 350) numa primeira votação ou por maioria simples numa segunda votação a realizar dois depois da primeira.