Um grupo de cientistas britânicos garante ter encontrado os fósseis que podem ser a forma de vida mais antiga na Terra. Pequenos filamentos e tubos foram encontrados em camadas de camadas de quartzo, numa região isolada do Canadá, e os investigadores calculam que tenham entre 3,7 e 4,3 mil milhões de anos. O estudo foi publicado quarta-feira na revista Nature.

Até agora, o fóssil mais antigo, do qual havia registo, tinha sido encontrado na Austrália e teria 3,4 mil milhões de anos. A descoberta foi feita numa zona remota conhecida como Nuvvuagittuq Supracrustal Belt (NSB), no Quebec. Aqui, alegadamente, existem as rochas sedimentares mais antigas, e conhecidas, do planeta Terra.

Segundo o trabalho agora divulgado, a Terra terá começado a abrigar formas de vida pouco tempo após a sua formação. Ou melhor, segundo explica o The New York Times, 340 milhões de anos após a formação. 

Na verdade, estes micro-fósseis serão fragmentos de bactérias, que fariam parte de um sistema hidrotermal subaquático onde surgiram as primeiras formas de vida. Segundo o estudo, as bactérias viveriam no ferro, nessas fontes hidrotermais, no fundo do oceano.

Matthew Dodd, da University College of London e membro da equipa de cientistas que desenvolveu o estudo considera que “a descoberta suporta a ideia de que a vida começou em aberturas quentes no fundo do mar pouco tempo após a formação da Terra”.

Dominic Papineau, também da University College of London e o investigador principal, reforça a ideia: 

As estruturas são compostas por minerais que que sabemos se formarem a partir da putrefação. E que estão bem documentados em registos geológicos. O facto de termos feito a descoberta numa formação rochosa, considerada a mais antiga, fornece indícios de estarmos perante as formas mais antigas de vida na Terra

Os cientistas defendem ainda no estudo publicado na Nature que esta descoberta pode ajudar na procura de vida noutros planetas como, por exemplo, em Marte. Já que estas bactérias viveriam na Terra, numa altura em que se acredita que Marte tinha oceanos ou lagos a sua superfície.

Mas esta conclusão, de que estaremos perante as primeiras formas de vida na Terra, é colocada em causa por alguns cientistas. Por exemplo, Martin J. Van Kranendonk, geologista na Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, afirmou ao The New York Times que estas estruturas não provam, sem sombra de vida, que começaram por ser matéria viva.