Uma jovem queniana pôs termo à vida na casa de banho de casa depois de, na escola, a professora a ter envergonhado e expulsado da sala de aula por causa de uma nódoa de sangue da menstruação no uniforme.

De acordo com declarações da mãe aos meios de comunicação do Quénia, a menina, de 14 anos, enforcou-se depois de ter sido humilhada na escola, diz a BBC.

A professora chamou “suja” à aluna por esta ter uma mancha de sangue na roupa e obrigou-a a abandonar a sala de aula, em Kabiangek, na passada sexta-feira.

Ela não tinha nada para usar como absorvente. Quando o sangue manchou a roupa, ela foi expulsa da sala de aula”, contou a mãe.

A jovem terá então ido para casa, onde acabou por cometer o suicídio na casa de banho, depois de relatar o acontecimento à encarregada de educação.

Os pais dizem ter participado o caso às autoridades, que acusam de não terem agido. Foi por esse motivo que organizaram, para esta terça-feira, um protesto em frente à escola, juntamente com cerca de 200 pais.

Na sequência da manifestação, a polícia fez cinco detenções e desmobilizou a população com recurso a gás lacrimogénio.

A escola está fechada desde então e a direção do estabelecimento recusa-se a comentar o caso, escreve a BBC.

Alex Shikondi, o chefe da polícia daquele local, esclareceu que uma investigação está em curso para apurar as causas da morte da jovem.

No Quénia, bem como noutros países africanos, o acesso aos produtos de higiene relacionados com o período é limitado, obrigando muitas meninas e mulheres a faltarem às aulas e aos trabalhos nos dias em que estão menstruadas.

Em 2017, o Quénia aprovou uma lei que previa a atribuição de produtos absorventes às estudantes, mas uma comissão parlamentar está a investigar as razões por que o programa não está a ser implementado nas escolas.