Um homem salvou outro durante as manifestações que decorreram este sábado em Londres. Não seria nada de mais, mas ambos estavam em lados completamente opostos da história dos protestos. Patrick Hutchinson, um ativista negro, estava do lado daqueles que apelavam ao fim do racismo. O outro protagonista da história é simpatizante da extrema-direita, e acabou por ficar ferido nos violentos confrontos com a polícia, que tentava evitar que os dois grupos se encontrassem.

Em declarações à BBC, o homem refere que ele e os seus amigos evitaram que alguém fosse morto: "Aquilo não ia acabar bem".

Aquele protesto, inserido na onda Black Lives Matter ("As vidas negras importam"), que surgiu depois da morte de George Floyd às mãos da polícia norte-americana, era o primeiro em que Patrick Hutchinson participava. Por isso mesmo, decidiu salvar o outro homem, até porque não queria que a mensagem do seu grupo saísse manchada por episódios de violência.

O meu verdadeiro foco era evitar uma catástrofe, de repente a mensagem passou de 'Black Lives Matter' para 'Jovens Matam Manifestantes'. Essa era a mensagem que estávamos a tentar evitar", referiu, em entrevista à CNN.

Esta onda de protestos, que começou na cidade de Minneapolis, Estados Unidos, depressa se espalhou para o resto do país, e depois para todo o mundo. A onda de indignação e a escalada nas reações levou à destruição e pichagem de várias estátuas de figuras conotadas com o racismo ou com a escravatura.

Um dos objetivos dos manifestantes de extrema-direita que atenderam aos protestos em Londres era, precisamente, evitar a destruição ou vandalização da estátua de Winston Churchill, antigo primeiro-ministro britânico, que tem sido apontado como racista.

Patrick Hutchinson viu o homem ferido numas escadas em posição fetal e rodeado de manifestantes. Naquele momento, não lhe ocorrreu que aquele pudesse ser um membro do protesto de extrema-direita, afirmando que só queria tirar o homem dali. Pegou no homem e carregou-o às costas para um local seguro.

Eu estava a carregá-lo e os meus amigos estavam a proteger-me e ao homem que tinha ao ombro. Ele continuava a receber agressões, eu conseguia sentir as pessoas a tentarem bater-lhe", contou à CNN.

Apesar de nunca ter participado em protestos do género, o ativista negro sentiu que "estava a fazer história", afirmando que "todos estamos na corrida" para derrubar o racismo.

Quero igualdade para todos. Sou pai, avô, e adorava ver os meus filhos, netos e sobrinhos terem um mundo melhor para viver. O mundo em que vivo é melhor do que dos meus pais e avós, e espero que continuemos até haver igualdade para todos", acrescentou.

Já depois dos protestos na capital inglesa, onde mais de 100 pessoas foram detidas, um homem negro foi morto pela polícia na cidade de Atlanta, Estados Unidos, desencadeando nova onda de protestos. Rayshard Brooks foi alvejado pelas costas depois de ter tirado um taser a um agente.

António Guimarães