Três militares de manutenção da paz burundianos foram mortos na República Centro Africana por "combatentes armados não identificados", informaram as Nações Unidas na sexta-feira.

Três soldados da paz burundianos foram mortos e dois outros feridos em Dékoa (centro)", lê-se no comunicado.

As Nações Unidas condenaram ainda o ataque de "combatentes armados não identificados".

Estes ataques surgem quando a coligação de grupos rebeldes, que tem estado na ofensiva durante uma semana contra o governo da África Central, quebrou o seu cessar-fogo na sexta-feira.

Face à “teimosia irresponsável do governo” que teria “rejeitado” o cessar-fogo, a Coligação de Patriotas pela Mudança (CPC) “decide romper a trégua de 72 horas que se impôs até agora e retomar a sua marcha implacável até ao seu objetivo final”, segundo um comunicado confirmado à agência France-Presse por dois grandes grupos rebeldes.

Ao declarar o cessar-fogo na quarta-feira, a coligação tinha convidado “o poder a observar um cessar-fogo no mesmo período” e apelado ao chefe de Estado, Faustin Archange Touadéra, favorito do escrutínio presidencial, a “suspender as eleições cujas condições de bom funcionamento nunca estiveram reunidas”.

No domingo realizam-se as eleições gerais na República Centro-Africana que vão ser disputadas por 17 candidatos à presidência, incluindo o atual chefe de Estado, Faustin Archange Touadéra, numa votação que vai também decidir a composição do parlamento.

A Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA) foi reforçada com 300 militares para garantir a segurança das eleições.

Em comunicado, a Organização das Nações Unidas (ONU), que coordena esta missão, explica que estes 300 homens fazem parte do contingente que participa nas operações da ONU no Sudão do Sul (UNMISS).

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a missão da ONU no país (MINUSCA) e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

A República Centro-Africana foi devastada pela guerra civil depois de uma coligação de grupos armados dominados por muçulmanos, a Séléka, ter derrubado o regime do Presidente François Bozizé em 2013.

Os confrontos entre a Séléka e milícias cristãs e animistas anti-Balaka provocaram milhares de mortes.

A recém-criada coligação reúne agora grupos das milícias Séléka e anti-Balaka contra o regime do Presidente Faustin Archange Touadera.

/ CE