O papa Francisco lamentou esta quinta-feira a existência de "resistências malvadas" que se opõem à reforma da Cúria, que "não tem fins estéticos", num discurso aos membros da administração do Vaticano.

No discurso, por ocasião dos cumprimentos de Natal, Francisco afirmou que a reforma em curso "só será eficaz se for feita com homens 'renovados'".

As resistências ocultas nascem de corações assustados e empedernidos, que se alimentam das palavras vazias do 'gatopardismo' espiritual de quem diz querer mudar as coisas, mas depois quer que tudo fique na mesma", declarou.

Francisco explicou que a reforma do Governo da Igreja Católica "não tem fins estéticos" e "não pode ser entendida como uma espécie de 'lifting' ou de maquilhagem para embelezar o idoso corpo curial ou como uma operação de cirurgia estética".

"Não são as rugas da Igreja que devem temer, mas sim as manchas", advertiu o papa argentino, garantindo que para concretizar a reforma não basta "mudar as pessoas, os membros da Cúria devem renovar-se espiritualmente, humanamente e profissionalmente".

O papa lembrou os anteriores discursos à Cúria sobre "doenças e curas" dos membros do Governo da Igreja para "alcançar o êxito".

Jorge Bergoglio enumerou e explicou os 12 critérios que devem inspirar a reforma da Cúria: individualidade, pastoralidade, missionariedade, racionalidade, funcionalidade, modernidade, sobriedade, subsidiariedade, sinodalidade, catolicidade, profissionalismo e gradualidade.

O papa advertiu também que nesta reforma se deve eliminar definitivamente a prática de "promoveatur ut amoveatur" (promover para remover) nos serviços do Vaticano.

É o cancro" da Igreja, declarou.

Redação / STS