O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, considerou este sábado que os 20 anos da missão internacional da NATO no Afeganistão não foram em vão e argumentou que foram plantadas as sementes necessárias para um futuro melhor.

Em declarações citadas pela agência espanhola de notícias, a Efe, à margem da visita a um centro de acolhimento de trabalhadores afegãos da União Europeia, perto de Madrid, o chefe do Governo espanhol disse que a presença da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no país nas últimas duas décadas "plantou uma semente" que deverá germinar no futuro, pelo que o esforço "não foi em vão".

Sanchez disse que o Governo de Espanha tem estado desde o início da crise "alerta e em cima" e que o trabalho de saída dos colaboradores afegãos e dos refugiados mostra "o melhor da União Europeia [UE]", os valores de "coesão e solidariedade".

A UE, concluiu, "dá uma resposta, seja nos bons ou nos maus momentos".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que participou na visita à base de acolhimento, elogiou o país, afirmando que "a Espanha é um exemplo do que é a alma da UE na sua melhor expressão".

O centro de acolhimento fica na base militar de Torrejon de Ardoz, perto de Madrid, e pode acolher mil pessoas.

Os talibãs conquistaram a capital do Afeganistão, Cabul, no domingo, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO do país.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.

Depois da tomada do poder, as forças talibãs proclamaram o Emirado Islâmico, em Cabul, tendo afirmado desde o princípio da semana que não procuram exercer atos de vingança contra os antigos inimigos e que estão dispostos à “reconciliação nacional".

Os talibãs já disseram que há "muitas diferenças" na forma de governar, em relação ao seu período anterior no poder, entre 1996 e 2001, quando impuseram uma interpretação da lei islâmica que impediu as mulheres de trabalhar ou estudar e que puniu criminosos de delito comum com punições severas como amputações ou execuções sumárias.

/ JGR