Muitos migrantes, incluindo crianças, viram-se obrigados a dormir ao relento após a desmantelamento do campo de refugiados de Calais, em França. O alerta parte de várias organizações que se encontram no local. Há centenas de pessoas que ainda não foram registadas pelas autoridades francesas, mas o autarca de Calais já anunciou que o centro de operações, onde estava a decorrer o recenseamento, já foi encerrado.

As imagens partilhadas nas redes sociais mostram o cenário que se viveu durante a noite desta quarta-feira em Calais: mantas e cobertores espalhados pelo chão, onde dormiram muitos migrantes, incluindo crianças.

 

O governo francês anunciou que o desmantelamento da "Selva" seria concluído na quarta-feira, com o registo e a distribuição de todos os migrantes pelos vários centros de acolhimento espalhados pelo país. As autoridades francesas frisaram 4.404 migrantes, incluindo 1.200 crianças, foram registados e recolocados. Mas muitos, parecem ter ficado para trás.

As organizações no local dizem que os migrantes foram recusados pelas autoridades francesas na quarta-feira e informados de que deveriam voltar ao campo esta quinta-feira de manhã. 

Entre as centenas de migrantes que ainda não foram registados pelas autoridades e permanecem em Calais, há muitas crianças. É que, para além do local de registo ter fechado horas antes do previsto, depressa os veículos mobilizados para o transporte de menores ficaram lotados e muitos viram-se forçados a ficar ali e a ter de dormir ao relento.

Passaram a noite junto ao armazém que foi utilizado como centro das operações. Às primeiras horas da manhã desta quinta-feira, já um grupo com cerca de 100 crianças esperava a abertura do estabelecimento. Mas as portas continuavam fechadas. 

As autoridades insistiram que as operações estavam concluídas e, entre os voluntários no local, instalou-se um sentimento de revolta. A organização Save the Children fez saber que está “extremamente preocupada” com a situação.

O centro de recenseamento foi mesmo fechado. A confirmação oficial veio do autarca de Calais, Fabienne Buccio, que falou aos jornalistas esta quinta-feira.

O responsável local acrescentou que os novos migrantes que chegam agora ao antigo campo de refugiados não podem esperar acolhimento por parte das autoridades locais.

“O papel de Calais não é receber todos os migrantes da Europa. Não queremos criar uma zona de vácuo. Pedimos aos que chegaram agora para se dispersarem”, frisou.

O acampamento de refugiados improvisado de Calais começou a ser evacuado na segunda-feira. É o fim do campo que ficou conhecido como a "Selva", onde cerca de 7.000 migrantes sonhavam, junto ao Canal da Mancha, com a desejada ida para o Reino Unido.