O antigo rei Juan Carlos comunicou esta segunda-feira ao seu filho que decidiu deixar Espanha e escolher outro país para viver, perante a repercussão pública das investigações sobre os seus alegados fundos em paraísos fiscais.

Numa declaração, a que o El País teve acesso, o rei emérito de Espanha explica que enviou esta segunda-feira uma carta ao filho comunicando a decisão, que garante que tomou “com profundo sentimento, mas com grande serenidade”.

Juan Carlos diz que pretende facilitar o exercício das funções de Filipe VI, pelo que deixará de viver no Palácio da Zarzuela e sai de Espanha, perante “a repercussão pública” de “certos eventos do passado”.

Esclareceu ainda, nessa mesma carta, que quer que o filho dê continuidade ao papel de chefe de Estado com a "calma e tranquilidade" que o cargo exige. 

No documento, em momento algum é revelado o país para onde o rei vai viver, nem quando iria sair de Espanha. No entanto, segundo o El Mundo, Juan Carlos já abandonou o país. 

Esta decisão foi tomada depois de terem sido divulgadas várias notícias que davam conta que Juan Carlos tinha criado uma empresa "offshore", quando ainda era soberano, através de uma doação de 65 milhões de euros da Arábia Saudita.

O Ministério Público suíço está a investigar o seu envolvimento na intermediação em vários negócios, entre eles um contrato ganho por um consórcio espanhol para construir a ligação de comboio de alta velocidade que liga Meca a Medina. Felipe VI nega qualquer conhecimento ou envolvimento neste caso.

Juan Carlos, de 82 anos, viveu no Palácio da Zarzuela ao longo dos últimos 58 anos. Tornou-se rei em novembro de 1975 e foi o chefe de Estado espanhol até à sua abdicação, a favor do filho, em junho de 2014.

Cláudia Évora