Um jovem de 25 anos foi infetado duas vezes com o novo coronavírus (SARS-CoV-2), tendo a reinfeção sido mais severa que o primeiro contágio, de acordo com um estudo publicado segunda-feira na revista The Lancet.

Este será o primeiro caso conhecido de reinfeção nos Estados Unidos.

O doente, que já recuperou da covid-19, não tinha problemas de saúde ou imunodeficiência conhecidos, mas, da segunda vez, teve de receber oxigénio.

O jovem, residente no estado do Nevada, testou positivo à covid-19 a 18 de abril e a 5 de junho, com dois testes negativos pelo meio, a 9 e 26 de maio.

Os primeiros sintomas, que começaram dias antes de ser testado, a 25 de março, foram consistentes com infeção viral, isto é, garganta dorida, tosse, dor de cabeça, náuseas e diarreia. Os sintomas desapareceram durante o período de isolamento, não tendo sido necessária assistência hospitalar. O doente sentiu-se bem até ao dia 28 de maio. Nos três dias seguintes, procurou ajuda médica por ter febre, dor de cabeça, tonturas, tosse, náuseas e diarreia, mas uma radiografia aos pulmões não mostrou qualquer infeção. No entanto, cinco dias depois, a 5 de junho, o jovem voltou ao médico e estava já em estado de hipoxia, ou seja, com baixo teor de oxigénio no sangue, tendo sido desencaminhado para o hospital para poder receber oxigénio.

Análises genéticas comprovaram tratar-se do SARS-CoV-2 e de duas variantes do vírus, com a segunda a manifestar-se de forma mais acentuada que a primeira. Ou seja, o doente foi infetado duas vezes, tendo sido excluída a possibilidade de não se ter curado da primeira vez.

Até ao momento, as reinfeções são consideradas raras, atendendo aos mais de 37 milhões de casos confirmados da doença, e contam-se pelos dedos de uma mão os casos reportados. E não é ainda claro se a reinfeção está relacionada com uma dose mais elevada de vírus ou com a resposta imunitária do doente aquando da primeira infeção.

Uma vez que não está comprovada a garantia de imunidade, os cientistas entendem, por isso, que um doente recuperado da covid-19 deve manter as normas de higiene e distanciamento social.

Catarina Machado