O Governo do Reino Unido assegurou hoje que está a “trabalhar implacavelmente” na retirada do Afeganistão de cidadãos britânicos e afegãos, desde a tomada do poder pelos talibãs, rejeitando críticas de má gestão do processo.

“Estamos a trabalhar duramente no Aeroporto Internacional Hamid Karzai para retirar o maior número possível de pessoas o mais rápido possível. Neste momento estamos a começar a ver um bom progresso na retirada das pessoas elegíveis” para o Reino Unido, apontou o primeiro-ministro Boris Johnson, numa mensagem de vídeo publicada na rede social Twitter.

Entre as pessoas que o Reino Unido pretende retirar estão afegãos que trabalhavam com as autoridades britânicas.

O primeiro-ministro britânico revelou que falou na sexta-feira de manhã com alguns dos 2.272 afegãos que já chegaram ao Reino Unido ao abrigo do sistema de receção destes cidadãos. 

Boris Johnson expressou ainda a sua “gratidão” aos intérpretes e outros funcionários afegãos que trabalharam com autoridades britânicas nos últimos 20 anos.

O Governo britânico tem sido alvo de fortes críticas por não ter antecipado a tomada do poder por parte dos talibãs e por não ter retirado até ao momento mais britânicos e afegãos daquele país.

Após presidir na sexta-feira à quarta reunião interministerial de crise, Boris Johnson defendeu o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, garantido aos jornalistas que tem “absoluta” confiança nele.

Dominic Raab foi criticado por não ter feito um apelo claro de ajuda aos intérpretes contratados pelo Reino Unido para os auxiliar a saírem do Afeganistão, quando o país da Ásia Central estava a cair nas mãos dos talibãs.

Segundo a comunicação social, funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros aconselharem em 13 de agosto, dois dias antes da captura de Cabul, o gabinete do ministro a agilizar com o homólogo afegão Haneef Atmar a retirada destes funcionários.

De férias em Creta, na Grécia, segundo acrescentam os meios de comunicação, Raab​​​​​​​ recusou-se a fazer o apelo e confiou a tarefa a um dos seus vice-ministros, sendo que a ‘ponte’ com o Governo afegão não chegou a acontecer.

Após as exigências da sua demissão, o ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu-se em comunicado divulgado sexta-feira, apontando como “imprecisas” as informações divulgadas pelos ‘media’.

Dominic Raab explicou que as negociações não avançaram devido ao rápido avanço dos talibãs, que impediu qualquer contacto.

E acrescentou que delegou o telefonema por “dar prioridade à segurança e à infraestrutura aeroportuária de Cabul, seguindo os conselhos dos responsáveis pela resposta à crise”.

A porta-voz do Partido Trabalhista criticou o ministro por permanecer “deitado na sua espreguiçadeira enquanto os talibãs avançavam”.

Após uma ofensiva relâmpago, os talibãs tomaram Cabul no domingo passado, o que assinalou o seu regresso ao poder no Afeganistão, 20 anos depois de terem sido expulsos pelas forças militares estrangeiras (EUA e NATO).

Foi o culminar de uma ofensiva que ganhou intensidade a partir de maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e dos seus aliados da NATO, incluindo Portugal.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista, que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Depois de terem governado o país de 1996 a 2001, impondo uma interpretação radical da 'Sharia' (lei islâmica), teme-se agora que os radicais voltem a impor um regime de terror, nomeadamente ao nível dos diretos fundamentais das mulheres e das raparigas.

/ MJC