O parlamento do Reino Unido aprovou, esta terça-feira, a votação de uma lei que prevê o adiamento da data do Brexit, que estava incialmente marcada para 31 de outubro. A votação contou com o apoio de 328 deputados, contra os 301 que apoiaram Boris Johnson.

Esta foi primeira vez que Boris Johnson marcou presença numa votação no parlamento britânico como primeiro-ministro. Recorde-se que já na tarde desta terça-feira, Boris Johnson tinha perdido a maioria que detinha em Westminster, depois do deputado conservador Philip Lee abandonar, a meio discurso do primeiro-ministro, a bancada dos tories, passando para o lado do Partido dos Liberais Democratas.

Se a Câmara aprovar este projeto de lei, o povo deste país terá de escolher quem vai a Bruxelas [ao Conselho Europeu] em 17 de outubro para resolver isto e levar este país para a frente", afirmou Boris Johnson no parlamento.

A votação, realizada às 22:00, acabou por contar com os votos contra de outros 20 deputados conservadores, o que deu aso à criação da chamada lei Benn, apresentada pelo trabalhista Hillary Benn. Mal foi conhecido o resultado da votação, Boris Johnson anunciou a intenção de convocar eleições antecipadas. Refira-se que o atual primeiro-ministro sucedeu no cargo a Theresa May, pelo que nunca chegou a ser eleito.

O processo afigura-se complexo, uma vez que, apesar de defender uma ida às urnas, a maioria só o pode fazer depois de a lei Benn ser aprovada. Este documento terá de passar pela Câmara dos Lordes antes de regressar à dos Comuns. Tudo isto antes da próxima sexta-feira, uma vez que Boris Johnson determinou a suspensão do parlamento britânico de 9 de setembro a 14 de outubro, numa tentativa de evitar um processo que travasse o Brexit a 31 de outubro.

As discussões chegam assim a um impasse, uma vez que Boris Johnson afirmou no parlamento que não quer passar a lei Benn, ao mesmo tempo que o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, reitera que não haverá eleições sem a aprovação da lei.

O primeiro-ministro britânico ameaçou expulsar os "rebeldes" do grupo parlamentar e proibir de se recandidatarem pelos 'tories'. Uma das apoiantes do atual primeiro-ministro, Andrea Leadsom disse à BBC que os deputados conservadores têm até amanhã para repensar a sua votação. Ao todo, 21 deputados do Partido Conservador votaram de acordo com a oposição.

Além dos "rebeldes" conservadores, a moção foi apoiada pela oposição ao governo, nomeadamente os partidos Trabalhista, Liberais Democratas, os nacionalistas escoceses e galeses do SNP e Plaid Cymru e independentes.

A moção retira ao Governo o controlo sobre a agenda parlamentar desta quarta-feira e dá a este grupo de deputados a oportunidade para apresentar um projeto de lei e acelerar o processo de aprovação para que todas as etapas sejam concluídas até ao final da tarde desse dia.

/ António Guimarães