O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e candidato a primeiro-ministro Boris Johnson foi, esta quarta-feira, intimado a comparecer em tribunal por ter alegadamente mentido durante o referendo do Brexit em 2016.

O julgamento é resultado de uma ação interposta por Marcus Ball, que angariou cerca de 200 mil libras (227 mil euros) de financiamento para financiar o processo por má conduta no desempenho de um cargo público.

O deputado conservador invocou durante a campanha para o referendo que o Reino Unido paga à União Europeia (UE) 350 milhões de libras (397 milhões de euros) por semana e o valor foi inscrito no exterior de um autocarro.

Numa sentença escrita divulgada hoje, a juíza Margot Coleman determinou que o caso terá uma audiência preliminar no Tribunal de Magistrados de Westminster enviado para um tribunal criminal para julgamento.

As alegações que foram feitas são acusações não provadas e eu não faço nenhuma constatação de fato. Tendo considerado todos os fatores relevantes, estou convencida de que este é um caso apropriado para emitir uma convocação, conforme solicitado", disse.

Boris Johnson, que fez campanha pela saída do Reino do Unido da UE, é o favorito entre os até agora 11 candidatos à sucessão da primeira-ministra britânica, Theresa May, que anunciou na semana passada que irá demitir-se da liderança do partido Conservador a 07 de junho.

A eleição interna começa na semana seguinte e o processo para escolher o sucedo deverá estar concluído antes do final de julho.

O vencedor, enquanto líder do partido do governo, torna-se também primeiro-ministro sem a necessidade de eleições legislativas.

Numa reação à decisão de hoje, Johnson, citado pela imprensa britânica, atribuiu este processo a "fins políticos" numa tentativa de "minar o resultado do referendo do ‘Brexit' e/ou para evitar as suas consequências".

Em 2016, 52% dos eleitores votaram no referendo a favor da saída do Reino Unido da UE, mas a falta de consenso no parlamento britânico levou ao chumbo do acordo negociado pelo governo por três vezes.

Este impasse resultou num adiamento da saída para além da data prevista de 29 de março, e o prazo para o processo estar resolvido agendado para 31 de outubro.