O primeiro-ministro do Reino Unido apontou este domingo o dia 15 de outubro como a data limite para chegar a um acordo de comércio livre com a União Europeia, avança a agência Reuters. Boris Johnson afirma que, caso não se chegue a um acordo, ambas as partes devem "aceitar e seguir em frente".

Se não chegarmos a acordo até lá, então não vejo que possa haver um acordo de comércio livre entre nós, e ambos devemos aceitar isso", afirmou.

O Reino Unido vai deixar a União Europeia a 31 de janeiro, depois de um longo processo que ficou conhecido como Brexit.

A agência Reuters refere que as negociações chegaram a um impasse, uma vez que o Reino Unido não abdica de total autonomia em relação às ajudas externas e às pescas, temas que deverão voltar à discussão esta terça-feira.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves le Drian, afirmou que era urgente chegar a um acordo, mas Boris Johnson parece não partilhar a mesma visão. Para o governante gaulês, a estagnação da discussão é culpa da atitude britânica.

Segundo o primeiro-ministro britânico, a ausência de um acordo poderá levar a uma relação comercial semelhante à existente com a Austrália, o que seria, segundo o chefe do executivo, "um bom desfecho".

Como governo estamos a preparar-nos, nas fronteiras e nos portos, para esse cenário. Vamos ter total controlo das nossas leis, regras e das nossas rotas de pesca", acrescentou.

Mesmo perante a ausência de um acordo, o Reino Unido e a União Europeia deverão conseguir continuar a ter situações privilegiadas em matérias como voos, circulação de veículos pesados ou cooperação científica.

O negociador britânico do Brexit, David Frost, vai de encontro às palavras de Boris Johnson, afirmando que não tem medo de um cenário sem acordo.

Mas um cenário diferente só deverá ser alcançado caso haja cedências do lado dos 27, até porque o primeiro-ministr britânico deverá manter um discurso de intrasigência: "Não podemos e não vamos comprometer nas questões fundamentais do que significa ser um país independente", são as palavras que, segundo a Reuters, vão ser ditas por Boris Johnson nas negociações.

António Guimarães