Os dias passam e a indefinição à volta do Brexit aumenta. Depois de os deputados terem chumbado todas as alternativas ao acordo de Theresa May, a criação de uma União Aduaneira e a realização de um referendo sobre o acordo, uma deputada trabalhista, Yvette Cooper, quer assegurar que o divórcio com a União Europeia aconteça "com os papéis assinados". 

O objetivo principal da emenda trabalhista é adiar a data de saída, prevista agora para 12 de abril. A deputada procura ainda que o parlamento se foque na discussão de apenas esta emenda, ao contrário do que aconteceu nas últimas votações. 

A emenda aprovada que deu controlo aos deputados sobre o desfecho do Brexit, permite que sejam eles próprios a delinear um novo plano. Os trabalhistas garantiram já o apoio de alguns conservadores, como é o caso de Oliver Letwin. 

Recorde-se que numa votação anterior, a 13 de março, os deputados aprovaram uma saída sem acordo. O problema reside no facto dessa emenda apenas prevenir uma saída sem acordo até à data prevista para sair, caso não seja assinado um acordo o país sai sem um aocordo. 

Analistas políticos britânicos avaliam já a possibilidade da marcação de eleições antecipadas e um respetivo adiamento do artigo 50. 

Do lado de Bruxelas a paciência parece estar a esgotar-se. O negociador-chefe da UE para o Brexit, Michel Barnier, garante que "uma saída sem acordo nunca foi o cenário desejado nem pretendido. Um não-acordo nunca foi o cenário pretendido, mas a UE 27 está agora preparada. Torna-se dia após dia mais provável".

A União Europeia dei duas datas para uma possível saída do Reino Unido, 12 de abril, caso não seja assinado um acordo, ou 23 de maio caso haja uma resolução "pacífica" para o Brexit.