O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, vai esta segunda-feira pedir “cautela” aos britânicos e confirmar se Inglaterra pode avançar para a quarta e última fase de desconfinamento a 19 de julho perante pressão para manter algumas restrições. 

Apesar de ter anunciado na semana passada que pretendia levantar a maioria das medidas ainda em vigor para controlar a pandemia covid-19, como o uso obrigatório de máscaras e os limites aos ajuntamentos em espaços abertos e fechados, a decisão final está dependente da análise dos últimos dados. 

Reconhecendo que o número de infeções vai aumentar devido ao desconfinamento, Johnson diz que “a cautela é absolutamente essencial” e urgiu “responsabilidade” às pessoas para evitar comportamentos de risco. 

Estudos com as projeções para a evolução da situação vão ser apresentados esta tarde numa conferência de imprensa e no Parlamento, mostrando que o número de infeções vai continuar a aumentar à medida que as restrições forem atenuadas. 

As hospitalizações e mortes também vão subir, embora a um nível menor do que antes graças ao programa de vacinação, que já imunizou 86,9% dos adultos com uma primeira toma e 65,6% com duas doses.

Nos últimos sete dias, entre 05 e 11 de julho, a média diária no Reino Unido foi de 29 mortes e 31.579 casos, o que corresponde a uma subida de 66,4% no número de mortes e de 27,3% no número de infeções relativamente aos sete dias anteriores.

A média diária de pessoas hospitalizadas foi de 440 entre 30 de junho e 06 de julho, um aumento de 56,6% face aos sete dias anteriores.

Esta última fase do desconfinamento estava prevista para 21 de junho mas foi adiada quatro semanas para fazer avançar o programa de vacinação, que está agora disponível para todos os maiores de 18 anos. 

Estudos da agência Public Health England e da Universidade University de Cambridge estimam que as vacinas evitaram até agora cerca de 8,5 milhões de infeções e 30.000 mortes em Inglaterra.

O atraso visou também coincidir com uma data mais próxima das férias escolares, no fim de julho, quando a transmissão deverá desacelerar. 

Boris Johnson pretende acabar com as restrições aos contactos sociais, o que significa que não haverá limites para ajuntamentos em espaços fechados, atualmente de seis pessoas, ou ao ar livre (30 pessoas). 

Isto significa que casamentos, funerais e outros eventos poderão realizar-se sem limites ou restrições, e teatros, salas de concertos e restaurantes poderão funcionar normalmente e com a capacidade total.

Discotecas e outros espaços de animação noturna poderão também voltar a funcionar pela primeira vez desde março de 2020.

O Governo disse que pretendia levantar a obrigação por lei de uso de máscaras em lojas ou transportes públicos, mas especialistas, sindicatos e médicos urgiram o Governo a manter estas medidas. 

Confio no senso inato do povo britânico para exercer essa responsabilidade”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Edward Argar, à BBC, alegando que vão continuar a existir recomendações "clara e fortes”, nomeadamente sobre o uso em espaços fechados com muita gente ou em locais com pessoas vulneráveis, como hospitais.

A autonomia dos poderes implica que cada uma das outras regiões (Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) têm regras e calendários diferentes. 

A Escócia deverá levantar mais restrições em 19 de julho e 09 de agosto, a Irlanda do Norte prevê aliviar as regras em 26 de julho, enquanto o País de Gales deverá dar mais detalhes sobre os próximos passos no final desta semana. 

/ AG