Foi publicada, esta terça feira, uma análise levada a cabo por um grupo independente de cientistas aos resultados da terceira fase de testes à vacina contra o SARS-CoV-2 criada pelos investigadores da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca.

Segundo o estudo publicado na revista científica Lancet, quando administrada no regime de duas doses completas, pelo menos 14 dias após a segunda dose, a taxa de eficácia média da vacina situa-se nos 70.4%. Por outro lado, quando tomada no esquema de meia dose mais uma dose completa, a taxa de sucesso da vacina sobe para os 90%.

Os dados da taxa de eficácia da vacina são baseados numa amostra de 11,636 voluntários entre o Reino Unido e o Brasil e combinados através de três grupos de pessoas vacinadas de diferentes formas. Dois grupos, cujos voluntários receberam duas doses completas da vacina e um grupo (apenas no Reino Unido) que recebeu uma dose e meia.

O estudo salienta que, até três semanas após a administração da primeira dose, não foram registadas hospitalizações ou doença severa.

Hoje publicamos a análise provisória dos resultados da terceira fase de testes e mostramos que esta nova vacina tem um bom histórico de segurança e eficácia contra o coronavírus. Estamos muito agradecidos aos nossos voluntários por trabalharem connosco ao longo dos últimos oito meses até chegarmos a este momento”, afirmou o professor Andrew Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group e investigador chefe do Oxford Vaccine Trial.

Dos 11,636 voluntários entre o Reino Unido e o Brasil incluídos nesta análise inicial da eficácia da vacina, cerca de 88% tinha entre 18 e 55 anos, sendo que os voluntários com 56 anos ou mais representam apenas 12% da amostra. Desta forma, a eficácia da vacina nos grupos de idade mais avançada não pôde ser avaliada com consistência, mas será determinada em análises futuras.

Há muito que sabemos que as vacinas com vetor viral que usam um adenovírus inativado atendem aos requisitos necessários no uso contra surtos ou doenças pandémicas. São seguras, altamente imunogénicas, podem ser fabricadas em larga escala a baixo custo e não requerem congelamento. Depois da demonstração da eficácia da vacina em vários estudos pré-clínicos, agora temos evidências claras da eficácia através dos resultados publicados esta terça-feira neste estudo. A vacina está agora no processo de revisão pelos reguladores e temos a esperança de que em breve vai começar a salvar vidas”, disse a professora da Universidade de Oxford, Sarah Gilbert.

Esta vacina é a primeira a ter os dados revistos e publicados, um passo de gigante na sinuoso caminho para a aprovação oficial.

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