O Egito vai pedir ajuda às autoridades internacionais para recuperar uma escultura do faraó Tutankamon vendida num leilão, a 4 de julho, pela casa de leilões inglesa Christie’s. O Cairo diz que a peça terá sido roubada nos anos 70 e, por isso, não é propriedade da leiloeira.

A escultura, com cerca de 27 centímetros, terá mais de 3000 anos e foi vendida por mais de cinco milhões de euros.

De acordo com a BBC, o Comité Nacional para a Repatriação de Antiguidades do Egito emitiu um comunicado, na segunda-feira, onde informa que contratou uma firma de advogados inglesa para ajudar a recuperar a escultura e onde acusa a Christie’s de não ter documentos que provem a propriedade do artefacto.

Este organismo criticou ainda as autoridades britânicas, a quem pediu para impedir a venda, por não sustentarem a sua reivindicação da propriedade da escultura do faraó.

O antigo responsável pelas antiguidades do Egito, arqueólogo e egiptólogo egípcio Zahi Hawass contou à agência France Presse que o busto terá sido alegadamente "roubado" na década de 70 do Templo de Karnak.

"Os proprietários deram informações falsas. Não mostraram nenhuns documentos legais que provem que são os detentores da escultura".

A casa de leilões já veio negar qualquer falta de documentação. A Christie’s afirmou que tomou todas as medidas para provar a propriedade da peça.

Laetitia Delaloye, da Christie’s, afirmou à Reuters que estiveram em contacto as autoridades egípcias, no Cairo, e com a embaixada egípcia, em Londres. A responsável da casa de leilões disse ainda que deram informações às autoridades egípcias para clarificar a propriedade.

O comité acrescentou que as relações culturais entre Egito e Reino Unido vão ser afectadas por este incidente.