Um relatório recente sobre obesidade, no Reino Unido, acusa as lojas de mentirem sobre os tamanhos das roupas, adulterando as etiquetas. Os clientes são levados a pensar que estão mais "magros" do que na realidade são. De alguma forma, continua a haver uma cultura de que vestir números grandes é “normal”, segundo Dame Carol Black, a responsável pelo trabalho.

Dame Carol Black é uma especialista em Saúde Pública e trabalha como conselheira em assuntos relacionados com obesidade para o governo britânico. O relatório, que analisou o impacto da obesidade e dos vícios no local de trabalho, concluiu que o excesso de peso deve deixar de ser algo "tão aceitável socialmente". A autora chega mesmo a criticar os decisores políticos de “terem medo de resolver o problema”, escreve o jornal The Telegraph.

Grande parte da população britânica é obesa, alerta Dame Carol Black, acrescentando que os comportamentos das lojas estão a normalizar esse problema.

Quero que a obesidade seja socialmente inaceitável, tal como fumar. Neste momento, parece que a sociedade não se importa. Ninguém acha isso um problema, não há uma campanha pública sobre isto”, sustentou a especialista durante uma intervenção no The Hay Festival, a decorrer de 24 de maio a 5 de junho no País de Gales.

Trocas de etiquetas e manequins

Além de adulterarem as etiquetas, as lojas estão também a trocar os corpos dos manequins por outros mais próximos da realidade. Isto aconteceu como resposta a várias polémicas em todo o mundo, que criticavam a indústria da moda por promover a magreza extrema.

No entanto, Dame Carol Black defende que não se pode passar de um extremo a outro. Se por um lado as lojas não devem promover a magreza extrema, por outro, também não podem deixar os britânicos pensar que a obesidade e o excesso de peso são aceitáveis.

De acordo com a especialista, há lojas de roupa no Reino Unido que usam manequins de tamanho 8 ou 10 (o que equivale a 36 e 38 no continente europeu, respetivamente), embora a mulher britânica vista, em média, um tamanho 16, o que corresponde a um 42 em Portugal. Ora, as pessoas estão a comprar um tamanho que na realidade é um 42, mas com uma etiqueta 38.

No seu relatório, Dame Carol Black fala ainda na necessidade de criar um imposto sobre o açúcar e em melhorar a segurança para pedestres e ciclistas, de forma a incentivar as pessoas à prática de atividade física.