Em contrarrelógio, o negociador europeu Michel Barnier e o novo secretário britânico para o Brexit reúnem-se na tarde de segunda-feira, para iniciar nova maratona de negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 29 de março.

Do lado britânico, Stephen Barclay tentará conseguir um compromisso sobre a fronteira na Irlanda, capaz de ser aprovado pelos parlamentares britânicos, que por duas vezes já chumbaram o que foi negociado.

A intransigência da União Europeia tem sido, contudo, a nota dominante nos últimos tempos, com a firmeza de que não se irá alterar o que está negociado, mesmo em relação à fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

O acordo de saída é o resultado de 18 meses de intensas negociações entre a União Europeia e o Reino Unido. É um compromisso que tem o objetivo de garantir um Brexit ordenado", escreveu Michel Barnier, na rede Twitter, na manhã desta segunda-feira, anexando o documento firmado já com os britânicos.

Novo referendo

Em Londres, Theresa May continua a enfrentar vagas de descontentamento face ao que negociou com a União Europeia, incluindo dentro do seu partido, onde um grupo de deputados exige a realização de um novo referendo, tendo pedido uma reunião urgente com a primeira-ministra.

Pedimos-lhe a si e ao governo que respirem, que parem um minuto e nos deem o tempo necessário para avaliar se o acordo proposto, ou como será ajustado, é realmente do nosso interesse... O medo do atraso não deve encurralar-nos num canto, com o país a sair com o pior resultado possível. Devemos ter tempo suficiente para resolver esse impasse", refere a carta dos conservadores, revelada pelo jornal The Independent.

Por seu lado, Theresa May fez saber que pretende informar, já na terça-feira, os deputados sobre os últimos resultados das negociações do Brexit com a União Europeia, dando mais um dia aos parlamentares para apresentarem propostas, na quinta-feira.

Aparentemente recusada terá sido a proposta de cinco pontos feita domingo pelo líder trabalhista, da oposição, para suportar o acordo de saída.

Somos absolutamente claros nisto: não consideramos as propostas alfandegárias de Jeremy Corbyn. Não estamos a considerar nenhuma proposta para permanecer na união aduaneira. Devemos ter nossa própria política comercial independente", afirmou um porta-voz da primeira-ministra, face à carta enviada pelo líder trabalhista.

Apesar da recusa de tentar negociar uma união aduaneira com Bruxelas, o ministro da Justiça, Rory Stewart, já admitiu, esta segunda-feira, que o governo e a oposição trabalhista estão mais próximos do que se pensa.

A primeira-ministra continua a pensar com clareza que uma grande economia como o Reino Unido precisa de ter liberdade para fazer seus próprios acordos comerciais, por isso discorda da sugestão de Jeremy Corbyn de termos uma união alfandegária permanente", afirmou o ministro na Radio 4 da BBC, acrescentando, contudo, haver "um terreno comum, em matéria de proteção ambiental, direitos dos trabalhadores, investimentos em áreas que o país que não têm feito".