A mãe de um rapaz de nove anos, portador de uma forma de epilepsia rara, confessou estar preocupada de que o filho possa morrer, após as autoridades britânicas terem anunciado que o abastecimento de canábis medicinal proveniente da Holanda vai terminar, devido ao Brexit.

Apenas com duas semanas de antecedência, o ministério da Saúde britânico avisou Hannah Deacon de que, após o período de transição, “as prescrições emitidas no Reino Unido deixam de poder ser legalmente dispensadas por estados-membro da União Europeia”. Ou seja, países da União deixam de poder vender canábis medicinal ao Reino Unido. 

Em 2017, esta mãe ganhou notoriedade no Reino Unido, depois de levar a cabo uma campanha para mudar a lei e salvar a vida do filho, Alfie Dingley, culminando na alteração da lei que permitiu a compra e venda da canábis medicinal para tratar a criança.

Apenas com oito meses, Alfie teve o seu primeiro episódio de convulsões tónico-clónicas. Aos cinco anos, o menino tinha cerca de 150 episódios por semana, acabando por ter de dar entrada nos cuidados intensivos, pelo menos, uma vez por semana.

Dois anos mais tarde, com a chegada do Brexit, tudo parece ter mudado. Em declarações ao jornal britânico The Guardian, Dingley admitiu mesmo temer pela vida do filho, de nove anos.

As autoridades dizem compreender as nossas preocupações, mas não podem fazer nada. Bem, deixe-me dizer-lhes, não é preocupante, é absolutamente assustador”, revelou.

A mãe de Alfie contou ainda que o ministério da Saúde britânico sugeriu que Hannah procurasse outro produto, algo que considera “inaceitável”, principalmente quando o aviso surgiu tão perto do final do prazo.

A carta foi enviada a 17 de dezembro, portanto, não tivemos tempo de reagir. Ainda assim, tivemos sorte de conseguir garantir medicamento suficiente para dois meses. Mas isso não é muito tempo. O que me faz ficar muito irritada é esta falta de tempo para nos prepararmos, a falta de empatia, de preocupação”, frisou.

A 29 de dezembro, o desespero de Hannah levou-a a escrever uma carta ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, para que interviesse. No entanto, a resposta veio na forma de uma mensagem automática a dizer que Johnson não responde diretamente.

Mike Barnes, neurologista britânico, considera a situação “terrível” e admite que “não é um exagero” a situação leve à morte de “uma ou duas” crianças das 42 que estão dependentes do medicamento.

O meu filho está a tomar um medicamento que funciona para ele, porquê tirar-lhe isso?”, questionou a mãe de Alfie.