A primeira-ministra britânica explicou, esta quinta-feira, as principais linhas do acordo sobre o Brexit, numa conferência de imprensa. Theresa May disse que este acordo cumpre a vontade expressada pelos britânicos no referendo de 2016.

Coloquei os interesses do Reino Unido em primeiro lugar, nunca os meus políticos", garantiu Theresa May

"Esta não é uma negociação fácil", foi assim que a chefe do Governo respondeu a uma pergunta sobre as linhas gerais alcançadas no acordo com a União Europeia. Quanto à questão da fronteira irlandesa garantiu que o pacto alcançada permite uma "resolução pacífica".

Aceito que algumas pessoas fiquem desconfortáveis com o acordo, mas protege as linhas gerais da votação de 2016", afirmou a primeira-ministra britânica

Num dia marcado por demissões de ministros e secretários de estado, Theresa May disse ter ficado triste "pelos membros que abandonaram o Governo". 

O governo aprovou na quarta-feira de forma "coletiva", mas sem unanimidade, o rascunho de acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, após um conselho de ministros que se prolongou por cinco horas.

Além de uma solução para garantir que não é imposta uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda, garante os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido e britânicos na Europa, a compensação financeira e um período de transição até ao final de 2020.

Questionada sobre a probabilidade de o acordo ser chumbado no parlamento britânico, onde tem de ser aprovado, reiterou que vai continuar a tentar negociar o melhor acordo possível e desafiou os deputados a analisar o acordo.

"Terão de considerar os votos do povo britânico para deixar a União Europeia e o nosso dever de cumprir esse voto. E, claro, eles serão responsabilizados pelos seus eleitores pelas decisões que tomarem", avisou.

Costa considera que acordo salvaguarda direitos dos portugueses

O primeiro-ministro considerou que o acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia é importante para o futuro da Europa e salvaguarda direitos dos cidadãos portugueses e de produtos nacionais com denominação de origem.

António Costa falava aos jornalistas em Monsanto, Lisboa, antes de presidir à cerimónia de entrega do Prémio Bartolomeu de Gusmão para distinguir inovação científica, após ser questionado sobre a posição do Governo português em relação ao projeto de acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia.

"É particularmente positivo que entre a União Europeia e o Reino Unido se tenha chegado a um acordo que já foi aprovado pelo Governo do Reino Unido e que será agora discutido no parlamento britânico. Considero que é importante que haja um acordo, porque sem acordo seria extremamente negativo para as relações entre o Reino Unido e a União Europeia, para a economia e para a segurança dos cidadãos de um lado e de outro", começou por salientar o primeiro-ministro.

António Costa referiu, a seguir, que o acordo "é muito extenso, com 586 páginas”, e que “o Governo português está naturalmente a apreciá-lo".

"Relativamente àquilo que são os aspetos críticos que ainda estavam em aberto, na primeira leitura está tudo consagrado face ao que eram as nossas prioridades: Defesa dos direitos dos nossos cidadãos, proteção das nossas denominações de origem" (em particular do vinho do Porto e do vinho da Madeira), salientou o líder do executivo português.

O primeiro-ministro considerou ainda que "foi encontrada uma boa solução para a questão difícil de regular a fronteira entre a Irlanda e Irlanda do Norte, garantindo simultaneamente a integridade constitucional do Reino Unido e também a integridade do mercado interno da União Europeia".