O Governo do Reino Unido anunciou hoje o cancelamento de vistos britânicos eventualmente detidos por algum dos suspeitos da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

"O ministro do Interior tomou as medidas necessárias para impedir os suspeitos de entrarem no Reino Unido", afirmou a primeira-ministra Theresa May no Parlamento.

"Se estes indivíduos tiverem vistos, esses vistos são revogados hoje", acrescentou, precisando que ainda "durante o dia" falará com o rei Salman.

Questionada sobre a venda de armas britânicas ao regime saudita, a chefe do Governo de Londres disse que a política de exportações "está a ser avaliada" e que os controlos efetuados sobre o material de defesa exportado "são dos mais rigorosos do mundo".

Theresa May voltou a rejeitar as explicações do regime de Riade sobre a morte do jornalista, de 59 anos, assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia.

"A afirmação segundo a qual Jamal Khashoggi morreu durante uma luta não é uma explicação credível e é urgente esclarecer o que se passou", disse.

A decisão do Governo de Londres segue-se a um anúncio dos Estados Unidos, na terça-feira, no mesmo sentido.

Os Estados Unidos da América anunciaram que vão revogar os vistos dos agentes sauditas alegadamente envolvidos na morte do jornalista Jamal Khashoggi, de forma a impedi-los que entrar naquele país.

Jamal Khashoggi, de 60 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de outubro, para obter um documento para se casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto.

O jornalista saudita, que colaborava com o jornal The Washington Post, estava exilado nos Estados Unidos desde 2017 e era um reconhecido crítico do poder em Riade.

No sábado, a Arábia Saudita admitiu que Jamal Khashoggi foi morto nas instalações do consulado saudita em Istambul, depois de, durante vários dias, as autoridades de Riade terem afirmado que saíra vivo do consulado.