Theresa May conseguiu um voto de confiança no seu próprio partido, ultrapassando a moção de censura que teve de enfrentar esta quarta-feira, no seio do grupo parlamentar do Partido Conservador. O anúncio dos resultados feito pontualmente às 21:00 revelou que 200 deputados apoiaram a primeira-minsitra, que recolheu 117 votos contra a sua continuidade como líder.

A líder do Partido Conservador conseguiu assim cerca de dois terços dos votos dos deputados conservadores, ficando assim imune durante um ano a novo processo de cotestação interna.

Na reação, à porta do número 10 de Downing Street, May reconheceu que "um número significativo" dos seus deputados votou contra a sua permanência como líder, mas garante que vai continuar com o processo do Brexit.

Foi um dia longo e desafiante. Embora eu esteja grata por esse apoio, um número significativo dos meus colegas votou contra mim. Ouvi o que eles disseram. Depois desta votação, agora precisamos continuar com o trabalho de entregar o Brexit para o povo britânico e construir um futuro melhor para este país".

Pediu, por isso, união a todos os partidos, de todas as cores políticas, para que ajam pelo interesse nacional, para "trazer o país de volta e construir algo que funcione realmente para todos". 

Batalha ganha, não a "guerra"

O deputado conservador Stephen Crabb disse depois da votação que a primeira-ministra ainda enfrenta o enorme desafio de conquistar os parlamentares que votaram contra

Aqueles deputados que votaram contra ela hoje, muitos deles também vão votar contra em termos da substância do acordo Brexit. Por isso, é extremamente desafiante. Parece que não há uma maioria na Câmara dos Comuns, de momento, para qualquer solução para o Brexit - não para um segundo referendo, não para um acordo ao estilo da Noruega, não para este acordo. Mas o Parlamento tem que dizer sim a alguma coisa - e ela recebeu um novo mandato para seguir em frente e descobrir como".

O líder dos rebeldes do Partido Conservador, Jacob Rees-Mogg, defendeu que May deveria demitir-se. E deveria fazê-lo já: "É um resultado muito mau para a primeira-ministra". 

May entende, contudo, que este chumbo da moção de censura lhe confere uma "missão renovada". 

Ainda antes de ter reagido ao resultado da votação, já o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, tinha um comunicado de imprensa com um desafio:

Theresa May perdeu a sua maioria no Parlamento, o seu Governo está num caos (...) Está claro que ela não é capaz de negociar as alterações necessárias com a UE. Ela tem que trazer o acordo de volta à Câmara dos Comuns na próxima semana. O Labour está pronto a governar para o país no seu conjunto e de levar a bom porto um acordo que proteja os níveis de vida e os direitos dos trabalhadores".

Tal como está, o acordo conta com a oposição dos rebeldes do Partido Conservador, do Labour (Partido Trabalhista), do Partido Unionista Democrático e da Irlanda do Norte.

Conselho Europeu esta quinta-feira

Está previsto que o Reino Unido deixe a União Europeia em março do próximo ano. A Comissão Europeia já avisou que não "há qualquer espaço para renegociar" mais. Amanhã há cimeira, em Bruxelas, e Theresa May vai estar presente.

Da minha parte, ouvi o que a Câmara dos Comuns disse sobre a salvaguarda da fronteira com a Irlanda do Norte, e quando for ao conselho Europeu amanhã, vou procurar por garantias jurídicas e políticas que amenizem as preocupações que os deputados têm sobre este assunto". 

Nos últimos dias, Mau andou num corrupio tentando obter garantias dos líderes europeus sobre mudanças no acordo do Brexit, que possam agradar os deputados britânicos, nomeadamente essa questão da Irlanda do Norte.

Apesar da vitória interna desta quarta-feira, que politicamente sustenta a sua posição na negociação de saída da União Europeia - a pedra de toque que levou á moção de censura - Theresa May terá comunicado aos deputados conservadores que não se recandidatará ao cargo de primeira-ministra, nas próximas eleições de 2022.

Hoje, dia D da luta pela sua sobrevivência política, e ainda antes da votação, May já se tinha mostrado "firmemente decidida a terminar o trabalho" que começou, do Brexit, e levá-lo até ao fim.

Na última segunda-feira, porém, decidiu adiar a votação parlamentar do acordo negociado com Bruxelas, por perceber que o acordo iria ser chumbado por maioria. 

Paulo Delgado Vanessa Cruz / Notícia atualizada às 00:00 de quinta-feira