O Reino Unido declarou hoje que a liberdade de expressão e a imprensa livre são uma prioridade para Londres, numa resposta às acusações de Caracas de que está a financiar 'media' locais e organizações da oposição.

A liberdade de expressão e meios de comunicação livres são necessários para a democracia. Protegê-los em todas as partes do mundo é uma prioridade para o Reino Unido”, de acordo com um comunicado divulgado pela embaixada britânica em Caracas na rede social Twitter.

 

Nos nossos esforços na Venezuela, temos impulsado distintos projetos de cooperação com várias organizações independentes para apoiar a melhoria das capacidades dos jornalistas venezuelanos”, indicou na mesma nota.

 

As informações sobre cada atividade e projeto apoiados pela embaixada britânica em Caracas são públicas e podem consultar-se nas nossas redes sociais e nas páginas web oficiais do Governo britânico”, acrescentou.

A embaixada concluiu, no comunicado, que Londres vai “continuar a apoiar a sociedade civil venezuelana na promoção de valores democráticos e dos direitos humanos.

Na sexta-feira, a Venezuela acusou o Reino Unido de “grosseira ingerência” nos assuntos internos venezuelanos e de financiar a imprensa local e organizações da oposição, uma denúncia que vai apresentar junto da ONU.

O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Jorge Arreaza, a estação de televisão venezuelana Globovisión e jornalistas do portal digital Misión Verdad (Missão Verdade) tinham acusado Londres de financiar a imprensa e organizações não governamentais (ONG)venezuelanas.

Denunciamos a grosseira ingerência do governo do Reino Unido nos processos internos da Venezuela. Enquanto sequestram o ouro venezuelano necessário para responder à covid-19, financiam a imprensa e organizações de oposição. Apresentaremos esta denúncia às Nações Unidas”, escreveu Jorge Arreaza na conta do Twitter.

Também a Globovisión publicou, no seu site, um documento, identificado como oficial, para mostrar que o portal digital venezuelano Efecto Cocuyo [nome dado a um inseto que produz luz azulada à noite] terá recebido um milhão de dólares norte-americanos (920 mil euros).

Segundo o Misión Verdad, Londres tem em curso dois planos para desestabilizar o Governo da Venezuela. O primeiro é um programa que propõe uma cobertura até 250 mil libras esterlinas (quase 280 mil euros) para atividades do jornalismo para "influenciar as agendas da imprensa venezuelana regional e nacional".

O segundo é um programa de “promoção da democracia” que o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico financia através da Fundação Westminster para a Democracia. Desde 2016, foram desembolsadas 750 mil libras esterlinas (quase 840 mil euros) em operações discretas enquadradas neste programa”, indicou.

Os pormenores das atividades teriam sido divulgados por jornalistas do portal Declassified UK (fundado em 2019) por Matt Kennard e Mark Curtis, que investigam “os esforços falidos do Reino Unido para promover uma mudança de regime contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro na Venezuela”.

A divulgação deste documento surgiu depois de, em dezembro último, ter sido adiado o julgamento sobre quem controla as reservas de ouro da Venezuela, depositadas no Banco da Inglaterra. O adiamento deveu-se a um aspeto jurídico que deverá ser resolvido pelo Supremo Tribunal britânico.

O julgamento pretende definir se cabe a Maduro ou ao autoproclamado Presidente interino Juan Guaidó controlar as reservas de ouro.

Maduro disse pretender transferir parte das reservas de ouro para um fundo da ONU para serem utilizadas no combate à covid-19 no país.

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