Os militares portugueses destacados na República Centro-Africana (RCA), integrados na missão de paz das Nações Unidas (Minusca), regressaram à base na capital, após uma operação de um mês contra grupos armados e em que foram alvo de dois ataques.

Após um mês de empenhamento numa operação de paz das Nações Unidas (Minusca), na região de Bossembélé, a cerca de 150 quilómetros da capital da República Centro-Africana, Bangui, os militares do Exército e da Força Aérea da 8.ª Força Nacional Destacada neste teatro de operações, maioritariamente composta por Comandos, regressaram há dias à base, em Bangui”, referiu uma nota hoje divulgada no portal do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA).

A nota acrescentou que os militares portugueses foram chamados a intervir para travar o “movimento contínuo de grupos armados em direção a Bangui, a fim de destabilizar o processo eleitoral” de 27 de dezembro.

Em 17 de dezembro, seis dos grupos armados rebeldes que ocupam dois terços da RCA aliaram-se na Coligação de Patriotas para a Mudança (CPC), tendo, em 19 de dezembro, oito dias antes das eleições presidenciais e legislativas, anunciado uma ofensiva para impedir a reeleição do Presidente, Faustin Archange Touadéra.

Desde aí, Bangui tem sido bloqueada pelos principais grupos armados, que realizaram vários ataques a importantes estradas nacionais que ligam a capital a países vizinhos.

Na operação que se prolongou por um mês, os militares portugueses “operaram postos de controlo no itinerário principal e realizaram várias patrulhas de segurança, terrestres e aéreas, para estabelecer um ambiente seguro e estável”.

O EMGFA acrescentou que durante a realização destas operações, os militares portugueses foram alvo, nos dias 18 e 23 de dezembro, de ataques por grupos armados, tendo “prontamente e em legítima defesa, respondido ao fogo e suprimido a ameaça”.

De acordo com a nota, não houve baixas na força portuguesa durante estas ações de combate.

A Minusca perdeu, pelo menos, sete Capacetes Azuis desde o lançamento, no final do ano, de ataques coordenados e simultâneos dos grupos armados reunidos na coligação anti-Balaka, aliados do antigo presidente François Bozizé.

Portugal tem atualmente na RCA 243 militares, dos quais 188 integram a Minusca e 55 participam na missão de treino da União Europeia (EUTM), liderada por Portugal, pelo brigadeiro general Neves de Abreu, até setembro de 2021.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, após o derrube do então Presidente François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas na anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

A reeleição na primeira volta do Presidente, Faustin Archange Touadéra, com 53,16% dos votos, foi validada em 18 de janeiro pelo Tribunal Constitucional, que rejeitou recursos dos opositores que alegavam "fraude eleitoral generalizada".

Touadéra tinha sido declarado reeleito em 4 de janeiro após uma votação que foi contestada pela oposição e na qual apenas um em cada dois eleitores recenseados teve a oportunidade de votar por causa da insegurança fora da capital, Bangui.

/ AG