A Comissão de Censura da República Democrática do Congo (RDCongo) anunciou esta quarta-feira que proibiu a difusão em todo o país de duas canções depreciativas sobre o presidente, Felix Tshisekedi, e a classe política dirigente.

As canções "Nini tosali te" ('O que não fizemos', num dialeto local)", do grupo musical MPR, e "Carta a Ya Tshitshi", do cantor Bob Elvis, foram proibidas de ser emitidas no país, segundo um comunicado da Comissão Nacional de Censura, enviado aos órgãos de comunicação congoleses, e citado pela agência de notícias francesa, France-Presse.

É uma questão de procedimento. Antes de transmitir uma canção em público, é absolutamente necessário passar pela Comissão de Censura. Estes jovens não o fizeram", explicou o diretor da Comissão, Didi Kelokelo, que funciona na dependência do Conselho de Estado, em declarações à AFP.

"Prometeste-nos felicidade depois da partida de Mobutu. Mobutu foi-se embora, mas não vimos nada. Disseste-nos que tudo ficaria bem se Kabila deixasse o poder. Kabila desapareceu, mas ainda é complicado, apesar da mudança (de regime) no país", ouve-se na canção "Nini tosali te", segundo a AFP.

As iniciais do grupo musical MPR são as mesmas do antigo partido único Movimento Popular da Revolução, do ditador Mobutu Sese Seko, que liderou o país entre 1965 e 1997.

Na segunda canção proibida, "Carta a Ya Tshitshi", com o nome do falecido adversário histórico Etienne Tshisekedi, pai do presidente Félix Tshisekedi, o cantor Bob Elvis enumera os males que assolam o país e a sua classe dirigente.

Desde que partiste, o teu filho Félix tornou-se presidente. Os membros do parlamento estão cada vez mais inconscientes. O teu filho está a fazer promessas sem as cumprir em vez de se distinguir pelos atos. A guerra no Leste continua", lamentou o cantor na canção, na qual afirma ainda que mudou o regime “sem mudar de sistema".

Depois da controvérsia lançada pela decisão da Comissão de Censura, o porta-voz do Governo, Patrick Muyaya, escreveu no Twitter: "A decisão de censurar canções não vem do Governo (...). Cada cidadão é livre de exprimir a sua opinião, desde que sujeito às disposições legais".

/ AG