A Guardia Civil está a investigar as circunstâncias que levaram a que o pequeno Julen se precipitasse sobre um poço ilegal numa propriedade em Totálan, Málaga. O corpo do menino foi encontrado 13 dias depois da queda, o funeral foi ontem, domingo e, agora, a investigação tem como foco determinar o grau de responsabilidade a ser atribuído ao proprietário do terreno, David (desconhece-se o sobrenome), e ao responsável pelo poço e outras obras de caráter ilegal, Antonio Sánchez.

De acordo com o El Mundo, os dois homens podem vir a ser acusados de homicídio por negligência, sujeitando-se ao cumprimento de uma pena de prisão que poderá ir de um até quatro anos.

As autoridades já recolheram os depoimentos de ambos os homens e estão a averiguar se estes tinham conhecimento de que o poço estava mal protegido e que poderia ser um risco para a integridade física de Julen e de todos os que estavam presentes no almoço de família, organizado pelo próprio proprietário do terreno.

Recorde-se que Julen, de apenas dois anos de idade, faleceu no seguimento de uma queda de mais de 70 metros em profundidade no dia 13 de janeiro, tendo o seu corpo sido resgatado sem vida no dia 24 de janeiro. A autópsia realizada ao corpo do menino de dois anos aponta para um “traumatismo cranioencefálico grave”, além de vários outros traumatismos no corpo, e para que tenha morrido no próprio dia em que caiu.

A juíza responsável pelo caso, María Elena Sancho, já tem na sua posse todos os documentos e provas que levam a crer que quer o furo de prospeção de água aberto a 18 de dezembro, quer as obras feitas nos dias anteriores ao fatídico acidente, não tinham nenhum tipo de autorização legal.

Os agentes já determinaram que não foram tomadas as devidas precauções de segurança para evitar acidentes, o que leva a crer que o dono do terreno e o responsável pelo poço e restantes obras possam vir a ser acusados de homicídio por negligência.

Será a juíza a decidir, mas nós achamos que o dono da propriedade sabia da existência da poço e encomendou as obras ilegais que obrigaram a mover a pedra que estava a selar o furo. Organizou uma reunião familiar com crianças pequenas sem medidas de segurança que pudessem evitar que alguém caísse. Não havia sequer sinalização. Este homem convocou a sua família para uma zona de obras ilegais, sem segurança, a poucos metros da vala onde estava o poço. Resta saber se estava consciente desta situação”, referiu um dos investigadores.

As primeiras declarações de David e Antonio Sánchez à Guardia Civil espanhola levam a crer que os dois homens atiram responsabilidades um para o outro.

O responsável pelo poço alegou que o dono da propriedade lhe tinha dito que tinha todas as autorizações para a obra, enquanto o proprietário do terreno alega que o responsável pelas obras disse que estaria tudo feito segundo as normas”, comentou um dos agentes responsáveis pela investigação ao El Mundo.

Segundo as autoridades espanholas, as multas por construção de poços ilegais rondam os 6.000 euros, mas em casos que envolvam a morte de alguém, a penalização deve ser maior. Às possíveis sanções penais atribuídas aos responsáveis pela negligência que levou à morte de Julen, deve ser também tida em conta a responsabilidade civil.