Cerca de 1.000 pessoas foram mobilizadas em carros, helicópteros, motas, todo-o-terreno, quadriciclos, bicicletas e cavalos para encontrar o pequeno Benjamin Sanchéz, de cinco anos, que se perdeu no deserto El Salado, localidade turística da província de San Juan, próximo aos Andes da Argentina.

Segundo o jornal Clarín, Benjamin ficou perdido durante 22 horas, e foi encontrado por moradores locais (chamados baqueanos). Juan Reynoso e Peco Erizondo encontraram o menino a dormir debaixo de um arbusto, numa região pantanosa que não era acessível de carro. Foi localizado a 21 quilómetros do local onde esteve com os pais quando se perdeu no domingo.

“Ele disse-me que queria água e perguntou pela sua mãe. Abracei-o e dei-lhe um pouco de água. Ele estava com a cara cheia de lama”, contou Juan Reynoso ao canal local Telesol.

Depois de ser resgatado na segunda-feira, a criança foi levada de helicóptero para um hospital. Lá recebeu tratamento e ficou em observação por um dia. O pequeno contou que comeu plantas e bebeu água de um ribeiro.

O governador de San Juan, Sérgio Uñac, publicou no Twitter fotografias do rapaz já com a mãe, e parabenizou todos aqueles que participaram do resgate.

Como o menino se perdeu

Benjamin é autista, hiperativo e gosta de brincar às escondidas até ficar fora da vista dos pais. Às 16:30 do domingo, a família estava numa zona turística próximo ao rio La Laja, uma área desértica e montanhosa. Benjamin começou a correr e distanciou-se da mãe, Andrea Quiroga, médica que trabalha no serviço de saúde pública de San Juan. Ela percebeu que o rapaz estava longe e procurou-o. Chegou a subir uma colina e diz ter ouvido o choro dele, mas não conseguiu vê-lo. A partir daí começaram as buscas. 

A minha mãe estava no meu alcance e comecei a correr. Ao início, ouvi-a, mas depois perdi-me. Apoiei-me numa pedra, comecei a chamá-la, mas ela não me ouviu. Eu estava a andar em direção a uma luz que estava muito longe”, contou Benjamin ao jornal Clarín.

O rapaz foi encontrado por volta das 14:00 da segunda-feira. Suportou calor e frio extremos, pois no deserto de San Juan as temperaturas chegam a 40 graus durante o dia e, à noite, aproximam-se de zero. A água é escassa e existem pumas, aranhas, cobras e escorpiões na zona.

Benjamin não tem ideia do que se passou com ele. As primeiras palavras dele foram ´senti sua falta mamã´”, contou a sua irmã Victoria ao canal local TN.