Mais de quatro milhões de cidadãos de países da União Europeia (UE) que vivem no Reino Unido solicitaram residência permanente ao Governo britânico para permanecerem no país após o Brexit, de acordo com dados oficiais divulgados esta quinta-feira.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério do Interior, desde março de 2019 até o final de setembro passado foram recebidas 4.061.900 candidaturas, superando as estimativas iniciais de cerca de 3,7 milhões de europeus a residir no Reino Unido.

Dessas candidaturas, 2.171.200 pessoas receberam autorização de residência permanente e 1.614.600 cidadãos obtiveram o estatuto provisório, o que implica que devem requerer a residência permanente após terem completado cinco anos consecutivos no país.

Além disso, o Ministério do Interior rejeitou 16.000 inscrições, 34.600 foram retiradas e 42.400 foram consideradas "inválidas", nos casos em que aquele ministério determinou que o requerente não era adequado para requerer a residência permanente ou não havia fornecido comprovante suficiente de residência no país.

Devido à saída do Reino Unido da UE, cidadãos europeus e respetivos familiares que residem e trabalham no Reino Unido podem reivindicar autorização de residência, designada ‘settled status’, antes de junho de 2021, a fim de poderem manter os direitos após o fim da liberdade de circulação, que termina juntamente com o período de transição pós-Brexit, em 31 de dezembro.

No mês passado, especialistas do Observatório da Migração da Universidade de Oxford alertaram que vítimas de violência doméstica ou de abusos como escravatura moderna, menores sob tutela dos serviços sociais e pessoas vulneráveis, nomeadamente com problemas de saúde mental, correm um risco agravado de não concluir este procedimento.

As estatísticas publicadas hoje não deram detalhe sobre as nacionalidades, mas um relatório publicado em agosto indicava que 286.390 portugueses já tinham submetido candidatura e que 271.210 tinham sido processadas pelo ministério do Interior britânico até 30 de junho. 

Daquelas, 192.980 (60%) receberam o título permanente, 103.400 (38%) o título provisório e 4.820 (1,8%) foram recusadas, retiradas ou consideradas inválidas.

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