Os reclusos de Rikers Island, o maior estabelecimento prisional de Nova Iorque e cadeia de alta segurança, estão a ser pagos para cavar valas comuns, alegadamente para responder ao aumento da mortalidade causada pela pandemia de Covid-19. Recebem seis dólares por hora, cerca de 5,5 euros, proteção individual mas, segundo ativistas, são deixados à sua sorte.

“O que está a acontecer aqui é desumano. Somos deixados a morrer”, disse Herrera, recluso, em entrevista ao New York Times

Em apenas um mês, cerca de 40 mil nova-iorquinos foram infetados com Covid-19 e mais de mil acabaram por morrer. 

Avery Cohen, porta-voz do autarca de Nova Iorque, Bill de Blasio, confirmou que os reclusos estão a cavar valas comuns, mas avançou que a medida não é específica por causa do Covid-19, mas sim algo que já estaria projetado.

Em 2008, a ilha de Hart, cujo cemitério é mantido pelos reclusos de Rikers, já tinha sido apontada como um possível “cemitério para enterrar corpos em situação de pandemia”. Nos planos iniciais, o espaço já era descrito como “limitado”, mas previa um cenário entre as 50 mil e as 200 mil mortes. Isto no caso de uma pandemia que iria afetar entre 25 a 35% da população e com a taxa de mortalidade a rondar os 2%.

Ao dia de hoje, os Estados Unidos contam 240 mil infetados e 5800 mortos devido à pandemia de Covid-19.

Márcia Sobral